João Pessoa 21/05/2019

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Festival de Cannes começa com filme de zumbis e polêmica sobre Alain Delon

Juri e mestres de cerimônia da 72ª edição do Festival de Cinema de CannesREUTERS/Stephane Mahe

O pontapé inicial da 72ª edição do Festival de Cinema de Cannes foi dado na noite desta terça-feira (14) com uma projeção de “Os Mortos Não Morrem”, um filme de zumbis do americano de Jim Jarmush. Porém, antes mesmo da cerimônia de abertura, um escândalo sacudiu o evento, com um protesto contra a homenagem prevista para o ator Alain Delon, acusado de machismo, racismo e homofobia.

Enviado especial a Cannes

Depois do ritual da subida das famosas escadarias do Palácio dos Festivais, a cerimônia de abertura começou com uma homenagem à diretora Agnès Varda, que faleceu no mês de março, e alfinetadas do ator Édouar Baer contra a plataforma Netflix, banida do festivaldesde que os organizadores decidiram que apenas os filmes projetados em salas de cinema podem concorrer na Croisette.

O mestre de cerimônia celebrou a magia das salas obscuras e lembrou que assistir um filme nas telonas “é bem melhor do que comer uma pizza em frente da televisão”. As declarações seguiam na esteira das críticas feitas em seguida pelo presidente do júri, o mexicano Alejandro Gonzalez Iñárritu, que martelou na “experiência comum” propiciada pelo cinema.

Após o anúncio da abertura oficial feito pela atriz francesa Charlotte Gainsbourg e o espanhol Javier Bardem, o público pode ver pela primeira vez o novo filme de Jim Jarmush. Uma espécie de “A Volta dos Mortos Vivos” que reúne no elenco estrelas como Bill Murray e Tilda Swinton, mas também Iggy Pop e Chloë Sevigny.

Equipe do filme “Os Mortos Não Morrem”, de Jim Jarmush, no tapete vermelho de CannesREUTERS/Jean-Paul Pelissier

Machismo, racismo e homofobia condenados

Mas durante o dia um dos principais assuntos em Cannes não eram os zumbis de Jarmush, e sim a Palma de Honra que será dada pelo festival a Alain Delon. Principalmente após um a abaixo-assinado por quase 20 mil pessoas contra a escolha dos organizadores.

O ator, que durante muito tempo foi um dos principais representantes do cinema francês no mundo, é frequentemente criticado por suas declarações radicais. A estrela de filmes como “Rocco e Seus Irmão”, de Luchino Visconti, e “O Sol por Testemunha”, de René Clément declarou publicamente que já bateu em mulheres e lançou inúmeras frases vistas como insultos contra minorias.

Os responsáveis pelo abaixo-assinado acusam claramente Delon de machismo, racismo e homofobia, e consideram que o ator não merece esse tipo de homenagem. “Ele é livre para ter suas opiniões, mesmo se não concordo com elas”, declarou Thierry Frémaux, delegado-geral do Festival de Cannes. “É complicado analisar como as lentes de hoje coisas que aconteceram ou foram ditas há anos”, tentou justificar. Até a hora da abertura, os organizadores do evento não contestavam a Palma de Honra para o ator.

RFI