João Pessoa 10/12/2018

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Filho de PM morto por militares queria ser do Exército: ‘Sonho acabou’, diz prima

O filho de 8 anos do policial militar Diogo Gama Alves Motta, de 35 anos, morto por militares após furar duas blitzes durante uma operação das Forças Armadas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, sonhava ser do Exército. Uma prima do PM contou ao EXTRA que, após o assassinato do pai, o menino já disse a parentes que desistiu do plano porque “o Exército matou o pai”. A linha principal de investigação do caso apura se o soldado, que estava indo para o trabalho, na UPP do Andaraí, na Zona Norte do Rio, confundiu os militares com traficantes.

— Sabe aquele cara que agitava tudo para ajudar a todos na família? Ele era assim. Fez o concurso da PM em 2010, mas só ingressou em 2013, sempre teve esse desejo de ser policial, pois tinha militar na família. Ele era super tranquilo. O filho completou 8 anos no último dia 5 e sonhava ser militar do Exército, mas hoje esse sonho acabou — contou a prima de Motta, que pediu para não ser identificada.

Diogo tinha orgulho da carreira na PM. No dia de sua formatura, em 2014, o soldado postou um texto em suas redes sociais agradecendo pela conquista: “Sempre desejei uma esposa maravilhosa, um filho incrível e uma carreira que será brilhante”.

Militares perto do carro onde está o corpo do PM
Militares perto do carro onde está o corpo do PM Foto: Gabriel Paiva / Agência o Globo

O soldado também costumava postar declarações de amor para a mulher e para o filho em seus perfis. “Filho, te amo, seu pai vai ser um exemplo para ti”, escreveu numa das ocasiões. No Dia dos Namorados de 2014, fez um texto para a mulher: “Bom dia, meu amor. Hoje é apenas uma data comemorativa, pois você é minha namorada todos os dias. Te amo muito, que o nosso namoro dure eternamente, pois me faz muito feliz”.

O crime

O policial foi baleado na Avenida Joaquim da Costa Lima, no trecho próximo à Rua Catumbi, no bairro São Leopoldo, por volta das 4h30, após furar duas blitzes feitas por equipes do Exército. Ele trabalhava como motorista do comandante da UPP e estava indo para o trabalho.

Na ocasião, ainda estava escuro e a blitz feita pelos militares não tinha cones. Testemunhas contaram a agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que fizeram perícia no local, que o tiroteio começou quando o soldado viu dois dos militares parados no meio da pista.

PM era motorista do comandante da UPP Andaraí
PM era motorista do comandante da UPP Andaraí

Como a área é cercada de favelas dominadas pelo tráfico, o PM teria achado que se tratava de uma falsa blitz, feita por traficantes vestidos com roupas camufladas. O carro do soldado foi atingido por cerca de 30 tiros. Com o policial, os investigadores só encontraram a pistola que usava, com registro da PM.

Em meio ao tiroteio, Carlos Cesar de Azevedo, de 66 anos, foi baleado na perna. No carro dele, um Chevrolet Cobalt, havia dez marcas de tiros. O homem foi levado para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, também na Baixada. Segundo parentes, está fora de risco.

Ação mobilizou mais de três mil homens

O homicídio aconteceu em meio a uma operação deflagrada pelo Comando Conjunto, que mobilizou três mil homens e tinha como alvo 18 comunidades: Palmeira, Castelar, Vilar Novo, Santa Amélia, Morro da Fonte, São Leopoldo, Gogó da Ema, Bom Pastor, Parque São Vicente, Parque Floresta, Morro da Galinha, Morro da Caixa D’Água, Morro do Machado, Guaxa, Parque Roseiral, Vale do Ipê, Parque São José e Santa Teresa.

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