Filipe Silva: uma história de superação no esporte

O sonho de criança era ser jogador de futebol. Nada surpreendente, afinal, a profissão mexe com o imaginário de nove entre dez meninos. O destino do pernambucano Filipe Silva, hoje com 24 anos, deu só uma mexidinha no cenário, trocou o gramado pela areia da praia, mas o conduziu com maestria a tal realização. Através do beach soccer, Filipe viu inúmeras portas serem abertas e também conheceu o poder que a fé tem de operar verdadeiros milagres.

Ele está de passagem pelo Recife com a seleção brasileira principal de beach soccer. A equipe está usando as instalações do novo centro de esportes de praia do Santos Dumont para se preparar para a Copa Intercontinental de Dubai, no final de outubro.

A ligação de Filipe com o beach soccer começou antes mesmo de ele pensar na possibilidade de seguir carreira profissional. Ainda adolescente, batia peladas de futebol com os amigos na praia aos finais de semana e participava de competições defendendo a escola Filipe Camarão, do Estado. Talentoso, foi recrutado para jogar no MP Soccer, formado por uma professora de educação física.

Aos 18, contudo, decidiu arriscar a sorte nos gramados, passou pouco mais de um ano treinando no Santa Cruz até perceber que aquele cenário não era onde iria engrenar. “Acabei voltando para o beach soccer. Mas, quando voltei, foi com a decisão de que levaria como profissão”, conta ele, que, através dos seus contatos, passou a vestir a camisa do Sport e, de pronto, viajou com o time para um Brasileiro, em São Paulo.

Lá, com a ajuda do conterrâneo e “padrinho” Fernando DDI, acertou a ida para a italiana Lazio. Desde então, a carreira deslanchou, através da combinação do talento e da determinação de Filipe. “Depois da Itália, joguei em Israel, uma experiência incrível, e há três temporadas estou jogando na Rússia, que tem um dos campeonatos mais fortes do mundo”, diz ele, que defende atualmente o Krylya, da cidade russa Samara, durante a temporada europeia, e o Sport.

Entre as várias competições já disputadas por Filipe, a Copa do Mundo das Bahamas, na qual o Brasil sagrou-se campeão neste ano, aparece no topo do ranking das mais especiais. Estar no torneio era um sonho do pernambucano, que, por pouco, não ficou de fora.

“Estava jogando pela Copa da Rússia quando tive um contato no joelho direito e não aguentei mais jogar. Voltei para casa, tomei remédio e, em um exame, vimos a lesão no ligamento cruzado anterior. Faltava seis meses para a Copa e esse é o tempo médio de recuperação, então pensava ser impossível ir. Tinha dias que não conseguia pisar. Só que Deus operou um milagre. Com cinco meses, o médico me liberou para correr em linha reta. Com cinco meses e 15 dias, comecei a treinar com bola. Em exatos seis meses, fui liberado. Me preparei psicologicamente, pois fisicamente estava bem atrás, e me dediquei ao máximo nos treinos para ser convocado. Foi um milagre abençoado com o primeiro gol do Brasil na Copa, com o pé direito”, recorda Filipe, com emoção.

A dedicação segue irretocável. Ele sabe que todos os frutos colhidos através do beach soccer foram construídos com muito trabalho. É enfático ao afirmar que ninguém tem cadeira cativa na seleção e, por isso, dá o seu melhor diariamente. Aos poucos, Filipe, orgulhoso por ter se tornado um espelho para os jovens do seu bairro, Prazeres, está conseguindo conquistar objetivos que pareciam longe quando mais novo. E o melhor, fazendo o que mais gosta.

Folha de Pernambuco