Flamengo joga pelo tri da Copa do Brasil e pela redenção.

leo mouraRIO – Flamengo e Atlético-PR iniciaram há quase oito meses a campanha que levou os dois rubro-negros à final da Copa do Brasil. Nesta quarta, às 21h50m, a mais longa competição nacional finalmente terá fim, justamente no principal palco do futebol brasileiro, o Maracanã, que receberá sua primeira final de clubes após a reforma para a Copa do Mundo de 2014. Os donos da casa jogam com a vantagem de poder empatar sem gols. Após o 1 a 1, há uma semana, em Curitiba, se a rede não balançar, o Flamengo garantirá o tri. Outro 1 a 1 levará a decisão para os pênaltis. E um empate por dois ou mais gols será do Atlético-PR, que jamais venceu a competição.

A vantagem do 0 a 0 talvez não seja tão importante quanto o benefício de atuar diante da torcida. O Flamengo terá o apoio da grande maioria dos 72 mil torcedores que estarão presentes no estádio, e pagaram até R$ 800 por ingressos (houve ainda o mercado de cambistas, veja na página 43). O apoio das arquibancadas foi considerado fundamental na fase decisiva da Copa do Brasil, quando o Maracanã passou a ser usado pelo time. Ali, caíram Cruzeiro, Botafogo e Goiás. Antes, o rubro-negro já havia eliminado Remo, Campinense e ASA.

— Os torcedores não cansam de apoiar. Eles incentivam o tempo todo com as músicas, cantando e vibrando em cada lance. E isso dá uma confiança tremenda. Temos tido sucesso jogando no Maracanã e sabemos que o torcedor do Flamengo é diferenciado. Vai estar cheio amanhã (hoje), e os torcedores querem ter uma noite especial. Essa noite vai chegar não só para eles, mas para o grupo, a comissão técnica e a diretoria — garantiu Léo Moura, que, aos 35 anos, tem a chance de conquistar sua segunda Copa do Brasil pelo clube, a primeira como capitão.

No discurso dos jogadores e também do técnico Jayme de Almeida, o título da Copa do Brasil será encarado como um momento de desabafo pelo maus momentos vividos ao longo da temporada. Foram três técnicos antes de Jayme — Dorival Júnior, Jorginho e Mano Menezes. Em um ano de contenção de gastos no futebol, nenhum craque foi contratado, e o time fez um péssimo Carioca antes de ir mal no Brasileiro, onde só na rodada passada se livrou matematicamente do risco de rebaixamento. Para Léo Moura, o jogo significa a redenção do elenco.

— Tenho pensado 24 horas nesse jogo. A imagem que vem à minha cabeça é a de poder abraçar meus companheiros e minha família. Muita gente não acreditava. Não só em mim, mas em todo o grupo. E hoje mostramos que temos muito a ajudar o Flamengo a buscar títulos — disse ontem o lateral, que reconhece os riscos do adversário. — Eles jogam com um time inteiro rápido e que gosta de bola longa. A gente tem que marcar o jogador que faz essa bola chegar, que é o Paulo (Baier).

Ontem, foi confirmado que Chicão, com dores musculares na coxa direita, está vetado. Em seu lugar entrará um zagueiro mais veloz, o jovem Samir, de apenas 18 anos, que fez sua estreia com a camisa do Flamengo na atual temporada sob o comando de Jayme. Ontem, André Santos falou sobre o papel do comandante no momento do time.

— O Jayme foi fundamental nessa reviravolta, porque todos os jogadores se comprometeram a dar a volta por cima. Com o Mano, o time foi mudado muitas vezes. Com o Jayme, não. Ele buscou uma formação — lembrou o lateral, que participou da campanha do título de 2006, mas deixou o clube antes da fase final.

Na terça-feira, o Atlético-PR conseguiu no STJD a absolvição do lateral-direito Léo, que havia sido suspenso por levar cartões amarelo e vermelho na semifinal contra o Grêmio. Ele ainda depende de uma liminar, que pode ser expedida hoje, para ter condições de atuar no Maracanã.

FLAMENGO: Felipe, Léo Moura, Wallace, Samir e André Santos; Amaral, Luiz Antônio, Elias e Car- los Eduardo; Paulinho e Hernane

ATLÉTICO-PR: Weverton, Léo, Manoel, Luiz Alberto e Pedro Botelho; Deivid, Zezinho, João Paulo (Felipe ou Fran Mérida) e Paulo Baier; Marcelo e Ederson

O Globo