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Força Nacional enfrenta manifestantes antes do leilão de Libra

ManifestantesRIO – Manifestantes, com o rosto oculto por máscaras, viraram e tentaram incendiar um carro de reportagem da TV Record na altura da praça do Ó, na Barra da Tijuca, por volta de 11h45m desta segunda-feira. Bombeiros apagaram o princípio de fogo. Pouco antes das 15h, horário marcado para o início do leilão, um grupo de manifestantes ateou fogo em um banheiro químico, localizado na Praça do Ó. As chamas foram vistas a mestros de distância, com o Corpo de Bombeiros sendo acionado minutos depois para conter o incêndio.

Antes disso, o grupo montou barricadas com placas de metal de uma obra e atiraram pedras em direção à Força Nacional, que avançou em direção ao grupo. No hotel Windsor, a poucos metros do local, que foi palco do leilão de Libra, a primeira área de petróleo a ser licitada sob o regime de partilha. Mais de 300 pessoas protestam no entorno da região. Será a maior área de óleo já licitada no país.

Helicópteros patrulharam o espaço aéreo da região e um deles deu voos rasantes no local, a poucos metros dos manifestantes. Um atirador disparou balas de borracha na multidão. No começo da tarde, ocorreram episódios de enfrentamento entre forças de segurança e manifestantes. O cheiro de gás lacrimogênio, usado para dispersar os protestos, chegou a ser sentido no interior do hotel.

Bem antes do início oficial, o leilão teve o primeiro conflito de forças policiais e militares contra manifestantes por volta de 10h50m. Foram utilizadas bombas de gás lacrimogênio e spray de gás de pimenta para dispersar manifestantes. Durante o tumulto, quatro manifestantes foram feridos por balas de borracha. Laércio Souza da Silva, de 20 anos, foi um dos que se machucou. Ele contou que foi atingido por uma bala de borracha na coxa.

– Quando fui atingido, caí e e várias pessoas passaram por cima de mim. Vim de Brasília para participar do protesto contra o leilão do Campo de Libra – contou Silva.

Também foi utilizado gás de pimenta para conter manifestantes concentrados na Praça do Ó, próximo ao hotel. Mesmo depois de dispersados, alguns ativistas voltaram às imediações do hotel.

Mais cedo, homens da Força Nacional ampliaram a área de bloqueio no entorno do hotel. Fecharam o acesso à Avenida Arquiteto Afonso Reidy, que é paralela à Lúcio Costa.

Sindicalitas do setor de petróleo colocaram um carro de som em frente à área de contenção na Avenida Lúcio Costa. Entre os manifestantes, há sindicalistas da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Central Geral dos Trabalhadores

Além de gritar palavras de ordem contra o leilão, integrantes do sindicato convocaram moradores da área de bloqueio para fazerem manifestação no Windsor, pois moram dentro da área bloqueada.

Diversos manifestantes se aglomeraram nas imediações do hotel Windsor, na Barra, contra a realização do leilão do campo de Libra. Vestido de preto, o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), veio participar do protesto, a que chamou de “velório”.

– Participei da campanha “O Petróleo é Nosso”. Nunca imaginei que, aos 77 anos, iria ver o Brasil entregar a sua riqueza. É triste também ver o meu Exército e a minha Marinha participarem da entrega do nosso petróleo – disse o economista, que já foi presidente do BNDES.

Por volta de 10h20m, ocorreu uma confusão quando manifestantes suspeitaram que dois carros eram do Ministério de Minas e Energia e impediram o acesso dos veículos ao Hotel Windsor. Cerca de 200 manifestantes bateram nos carros, colaram adesivos e obrigaram os motoristas a retornar. Homens da Força Nacional apenas observaram a movimentação.

O campo de Libra possui reservas estimadas entre oito e 12 bilhões de barris de petróleo.
O Globo