Foto mostra Ariano Suassuna deitado no chão do aeroporto de Brasília

Ariauno suassuna deitadoUma foto do escritor Ariano Suassuna deitado no chão do aeroporto de Brasília chamou a atenção nas redes sociais nesta terça-feira (22/4). O autor da imagem, identificado no Instagram como Francisco Souza, deu a entender que a espera inusitada decorria da falta de assentos disponíveis na área de embarque. A assessoria do escritor informou, contudo, que Suassuna faz isso com frequência.

O escritor, de 86 anos, voltava para Recife, onde mora, após ser homenageado durante a 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília. Em entrevista ao Correio na última quarta-feira (16/4), ele falou sobre a homenagem que recebeu na Bienal. Esta foi a primeira passagem dele pela capital após infarto e AVC que sofreu em agosto do ano passado.

“A vida é um espetáculo maravilhoso”, diz Suassuna em entrevista ao CorreioAutor de Auto da compadecida e O romance d%u2019A Pedra do Reino, o escritor paraibano fala ao Correio sobre novo livro, família e dedicação à cultura popula
Escritor é homenageado durante a 2ª Bienal do Livro e da Literatura  (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Escritor é homenageado durante a 2ª Bienal do Livro e da Literatura

 

Após tomar o café da manhã, o que costuma ser a principal refeição do dia, o autor Ariano Suassuna, 86 anos, caminha lentamente pela área de lazer do hotel com o conhecido traje preto e vermelho, usado especialmente para cerimônias e entrevistas. Bem disposto, ele sorri ao elaborar cada resposta, como se a mente fosse invadida pelas figuras fantásticas que povoam o imaginário popular e também as próprias lembranças do escritor e dramaturgo.

Ao Correio, Suassuna falou sobre o livro que começou a ser escrito há mais de 30 anos, O Jumento sedutor — romance com manuscritos inéditos, ainda sem previsão de lançamento —, além das conversas que anda tendo com Deus e das relações com a militância artística. O escritor esteve ontem em Brasília para participar de homenagem na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. É a primeira vez que ele vem à capital após infarto e AVC que sofreu em agosto do ano passado.

A saúde

Foram dois sustos. No espaço de uma semana eu tive um infarto e um AVC. Mas escapei bonito. Não acreditava em praga, agora estou acreditando. Praga de médico, sobretudo. Uns cinco dias antes, eu fui participar de um encontro de médicos em Ribeirão Preto (SP), era um congresso de cardiologia e o foco era hipertensão. Dei aula, mas pediram para eu participar de uma mesa redonda. Não sabia o que estava fazendo lá. Não sou médico e não tinha problema de pressão. Estou com 86 anos e minha pressão é 12 por 8. Disse: “Eu nunca vou ter um problema de coração. O meu problema pode ser câncer. Jamais terei nada no coração”. Voltei para casa e, em cinco dias, tive um infarto. Então, só pode ter sido praga (risos). Eu parei a rotina de trabalho, evidentemente, mas estou retomando agora.

Correio Braziliense