França vive nova polêmica sobre legalização da maconha

França vive nova polêmica sobre legalização da maconha

maconha polemicaCerca de 700 mil franceses fumam maconha regularmente, segundo dados de 2014.REUTERS/Baz Ratner/Files

O secretário francês de Estado encarregado das Relações com o Parlamento, Jean-Marie Le Guen, reabriu nesta terça-feira (12) um novo capítulo do debate sobre a polêmica legalização da maconha na França. Para o socialista, o governo precisa recomeçar a discutir o fim da proibição da droga.

“A cannabis é algo muito ruim para a saúde pública, particularmente para os jovens. Mas a proibição não leva a uma diminuição do consumo”, declarou Le Guen na noite de segunda-feira (11). A declaração do socialista foi suficiente para que a França desse início a um novo debate sobre a legalização da droga.

Para Le Guen, o país precisa voltar a discutir a questão da descriminalização da maconha urgentemente. Médico de profissão, ele sugeriu que a autorização do consumo da droga seja “seletiva”, ou seja, que seja legal para os adultos, “jamais para os menores de 21 anos” e para o “uso ‘privado'”, nunca em espaços públicos.

A França é um dos países europeus onde a cannabis é mais consumida: em 2014, 17 milhões de pessoas declararam ter fumado maconha ao menos uma vez na vida. Segundo dados do Observatório Francês das Drogas, 700 mil franceses usam regularmente a cannabis.

Direita acusa socialistas de demagogia

A polêmica se renova em um momento no qual o governo francês tenta se aliar aos jovens, extremamente revoltados com o projeto de reforma trabalhista. O socialista foi imediatamente acusado pelas lideranças da direita de “demagogia”, já que as negociações com as organizações estudantis sobre a futura legislação trabalhista vem se mostrando difíceis, sem sinal que a onda de manifestações dê trégua.

Da parte do governo, o porta-voz Stéphane Le Foll tentou acalmar os ânimos nesta terça-feira, lembrando que “não há qualquer reflexão ou projeto” sobre uma possível legalização da maconha atualmente.

A mesma posição foi defendida pela ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem. Hostil à ideia, ela disse acreditar que a decisão poderia enviar uma mensagem aos jovens franceses de que o governo “baixou a guarda no combate às drogas”.

Le Guen é apoiado, no entanto, por uma importante liderança do governo. O secretário do Estado para Reforma, Jean-Vincent Placé, se declara contra a “ilegalidade total” da cannabis. Mas reconhece que o momento não é o melhor para debater a questão.

RFI