Governo avalia se prioriza luta na Câmara ou no STF

Governo avalia se prioriza luta na Câmara ou no STF

DILMA E CARDO 1Ciente de que o parecer pró-impeachment de Jovair Arantes deverá ser confirmado pela comissão da Câmara, o governo fará uma avaliação nos próximos dias sobre qual estratégia priorizará para tentar barrar a queda da presidente Dilma Rousseff.

Se julgar que tem votos suficientes para impedir a aprovação do impeachment no plenário da Câmara, o Palácio do Planalto escolherá o confronto político e deixará em segundo plano uma cartada jurídica.

No entanto, se considerar que há risco de derrota no plenário da Câmara, poderá recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) a fim de tentar inviabilizar o pedido de impeachment que está em tramitação. Nessa hipótese, alegaria nulidades em relação ao trabalho da comissão da Câmara e pediria ao Supremo que se manifestasse sobre a “justa causa” do impeachment.

Trocando em miúdos: solicitaria ao Supremo que apreciasse se os motivos alegados no atual pedido de abertura de processo poderiam configurar crime de responsabilidade. Um auxiliar de Dilma diz que o ministro Luiz Edson Fachin já se manifestou favoravelmente ao eventual exame da “justa causa”.

Nesta quarta, crescia no governo o sentimento de que estaria dando resultado o trabalho de campo do ex-presidente Lula para reunir votos na Câmara contra o impeachment. Ou seja, a tendência hoje seria brigar para evitar que a oposição obtivesse 342 votos _dois terços da Câmara.

Para tanto, o ex-presidente Lula tem negociado acordos políticos, deixando claro que, se o impeachment for barrado, Dilma cederá poder de verdade. Ou seja, Lula daria as cartas numa nova fase do governo.

Há um complicador. Se o governo recorrer ao Supremo após eventual derrota na Câmara, estaria criado um fato político consumado que poderia inibir o exame do Supremo sobre a “justa causa”. Por isso, o governo estudará com cuidado qual caminho seguirá, levando em conta o clima político em Brasília na próxima semana, o peso de manifestações de rua sobre os deputados e desdobramentos da Lava Jato.

Apesar de o governo já esperar que Jovair Arantes se manifestasse a favor do impeachment, criou-se um fato negativo para a presidente Dilma Rousseff. A atitude de Jovair sinaliza que a maioria dos 65 integrantes da comissão deverá aprovar o relatório, provavelmente na próxima segunda-feira, caso não haja um recurso legislativo ou jurídico que adie a votação.

Em resumo, a oposição ganhou hoje uma batalha. Mas a guerra ainda não acabou. E fortes emoções estão por vir.

IG