Grafite faz a diferença 13 anos depois e presenteia Santa Cruz com vitória

grafite marcarAo todo, foram 13 anos de espera. O Arruda, lotado, acolhia Grafite de braços abertos. Parecia até que cada um dos torcedores previa o ato final. Na melhor das hipóteses, a ideia era uma vitória com o jogador no posto de herói. Foi bem assim. Quis o destino que o garoto, com última passagem pelo estádio coral, aos 23 anos, voltasse aos 36 e decidisse o confronto, contra o Botafogo, pela Série B. Para quem duvidava do status de ídolo do camisa 23 – número ostentado na melhor fase da carreira, com direito a título do Campeonato Alemão, pelo Wolfsburg, em 2009 -, a resposta foi típica. Uma cabeçada fulminante, que deu números finais ao placar. A estrela brilhou.

Ao deixar o Arruda, Grafite já não era o menino desengonçado e fadado a perder gols – em 2001, marcou cinco vezes. Ainda assim, foi negociado com Grêmio por R$ 1 milhão. No retorno, um ano após, emprestado pelo clube gaúcho, fez 11 vezes em 15 confrontos da Série B de 2002. Chegou mudado e “matador”. Na terceira passagem, assim que voltou a pisar no gramado coral, mostrou que o tempo não o fez perder o caminho da rede.

Grafite Santa Cruz x Botafogo Série B (Foto: Adelson Carneiro / Pernambuco Press)
Grafite fez o que a torcida esperava: gol. Atacante chega como peça decisiva

A condição física de Grafite não era das melhores. Egresso do futebol árabe, onde – dependendo da época – só treinava três vezes por semana, em decorrência do frio, cabia ao ídolo o esforço como carta na manga. Foi assim: recebido sob os olhares de 44.485 torcedores – entre eles Mancuso e Edilson, o “Capetinha” -, quase não apareceu no primeiro tempo. Prendeu a bola, tentou o papel de pivô, mas não deu. O Santa Cruz, levemente melhor, pressionava como devia.

De maneira até surpreendente, Grafite voltou para o segundo tempo. A figura ofegante que deixou o campo no intervalo não existia mais. Foi preciso um único lance para mudar a história do jogo. Aos cinco minutos, João Paulo levantou a bola, com perfeição, na cabeça do atacante. Dali, uma cabeçada fulminante estufou as redes. Era a redenção.

– Passou tanta coisa na minha cabeça… Eu estava com dores no braço e o jogador do Botafogo ainda pisou no meu pulso quando eu caí no lance. Muita gente torcia por mim e pelo Santa Cruz. Passou um caminhão de coisas na minha cabeça. Não tem como descrever. Está sendo um dia maravilhoso para mim. Está terminando o dia do jeito que eu sonhei. Até porque fazia um tempo que eu não fazia um gol, foi há uns três meses. Recebi muitas mensagens de amigos e familiares. Não tinha como dar errado com tanta gente torcendo a favor. Não só a torcida tricolor dentro do Arruda, mas no Recife muita gente também estava com pensamento positivo. Eu tenho que agradecer aos meus companheiros que me receberam muito bem. Não tem esse negócio de estrelismo e me receberam como um jogador normal como eu sou – disse o artilheiro

Grafite deixou o campo da mesma maneira que entrou nesta tarde: com a torcida gritando o seu nome. Aplaudiu, agradeceu e sentou no banco de reservas, onde só restava uma única coisa a fazer – a mesma dos últimos 13 anos, longe do Arruda: torcer. Depois do apito final, mais festa e só uma certeza: a de que o Santa Cruz é seu lugar.