Grávida morta em acidente com ambulância teria bebê neste domingo; ao todo quatro morreram - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Grávida morta em acidente com ambulância teria bebê neste domingo; ao todo quatro morreram

acidente com ambulânciaUma adolescente grávida de sete meses e outras duas pessoas morreram após se envolverem em um acidente, na madrugada deste domingo (4), no Km 266 da BR-101, na altura do bairro Laranjeiras, na Serra. A grávida seguia para um hospital, no mesmo município do acidente, onde teria o bebê prematuramente, pois estava sentindo muitas dores.
Grazieli Santos Mendes, de 15 anos, estava junto com a mãe, a dona de casa Juldeci Oliveira dos Santos, 33, na ambulância da Prefeitura de Brejetuba, conduzida pelo motorista Ladir Martinuzzo, 46, quando ocorreu a batida. Todos morreram na hora.
A técnica de enfermagem Tatiana Badaró Ewald da Silva, 34, também estava no veículo, e foi a única sobrevivente.
Acidente na SerraO acidente ocorreu por volta das 3h50. De acordo com policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF-ES), a ambulância, o Fiat Doblô, placa ODA-3870, vinha de Brejetuba, Região Serrana do Estado, e seguia em direção ao Hospital Doutor Jayme Santos Neves, na Serra, para onde Grazieli seria levada.
O veículo passou pela BR-101 e, ao chegar no trevo de acesso a Laranjeiras, entrou na avenida Eudes Scherrer, que leva ao hospital, trafegando no sentido do bairro. Mas, logo depois, Ladir retornou, passando pelo outro sentido da via, e seguiu novamente para a BR-101.
O motorista conduzia a ambulância pela rodovia, no sentido Vitória-Serra, quando entrou em um retorno e seguiu pela pista lateral da BR-101 no sentido contrário.
Então entrou novamente no trevo de acesso à Laranjeiras, passando pela contramão de uma via e, no momento em que começou a atravessar a rodovia, o veículo foi atingido na lateral pela carreta, placa MSN-7668, carregado com uma pedra de granito de 31 toneladas, que seguia no sentido Serra-Vitória.
Foto: Reprodução / FecebookLadir Martinuzzo motorista da ambulância que se envolveu em acidente com carreta

A ambulância foi arrastada pelo caminhão por cerca de cem metros. Em seguida, o caminhão tombou e a pedra caiu no meio da pista. Então os dois veículos se distanciaram um do outro e, momentos depois, o caminhão voltou à posição normal.

Os policiais acreditam que Ladir tenha se perdido enquanto trafegava pela região. Segundo testemunhas, socorristas de uma ambulância do Samu que tinha acabado de sair do bairro José de Anchieta, à margem da BR-101, na Serra, também perceberam que o motorista estava perdido e seguiram até ele a fim de orientá-lo.Mas o acidente ocorreu antes mesmo de eles o alcançarem. Os socorristas presenciaram a batida e logo seguiram para onde estava a ambulância, constatando, momentos depois, que apenas Tatiana tinha sobrevivido.

A técnica de enfermagem foi levada para o Hospital Jayme dos Santos Neves, e o estado de saúde dela é estável. Já o motorista do caminhão, Luis Lacerda, 35, prestou depoimento na 3ª Delegacia Regional da Serra e foi liberado.
Grávida teria bebê prematuramente
O primo de Grazieli e sobrinho de Juldeci, o agricultor Gilmar Oliveira, 18 anos, explicou que a adolescente seguia para a Serra porque havia sentido dores na manhã de sábado (3). A jovem foi ao posto de saúde perto de onde morava e lá ela foi encaminhada para o hospital da Serra, porque na cidade não haveria estrutura para manter o bebê em um incubadora.
Como soube do acidente?
Gilmar – Um tio foi até a minha casa e contou o que havia acontecido. Na hora ficamos em choque.
O que passou pela sua cabeça?
Foi um pesadelo. Eu estava dormindo, e, de repente, acordo com uma notícia dessas. É complicado, não sei explicar. Não estava esperando. A minha mãe chegou a passar mal.
Por que a Grazieli estava vindo para o hospital?
Ela sentiu dores. Acredito que tenha ido ao posto e lá eles disseram que estava na hora de ela ter o bebê. Como o bebê nasceria prematuro, o parto era de risco, tiveram que trazer para a Serra, porque lá não tem estrutura para isso.
Como era ela e a mãe?
As duas eram bastante extrovertidas e tinham uma boa relação. Elas moravam em Santa Luzia, na Bahia, e foram para Brejetuba a menos de um ano para trabalhar. A Grazieli estudava antes de ficar grávida e minha tia é dona de casa. Minha família e eu também somos da Bahia…moramos em Brejetuba há cinco meses.
Como estava a expectativa para o nascimento do bebê?
Elas estavam muito ansiosas. Seria um menino. Minha tia já estava comprando as coisas para ele, ficava o tempo todo dizendo que queria saber como ele era. Elas, os maridos e a gente estava muito feliz.
Acidente na BR 101, na Serra – Crédito: Internauta Vinícius Malaquias
O marido de Tatiana, que também é motorista da Prefeitura de Brejetuba e primo de Ladir, Ladir Etelvino da Silva, de 41 anos, contou como foi o momento em que soube do acidente.
Como soube do acidente?
Ladir – Eu estava dormindo quando recebi uma ligação do hospital informando sobre o acidente e que era para ir para o hospital porque a Tatiana estava lá.
Qual foi a sua reação?
Só pensei em Deus. Eu não sabia o que tinha acontecido, e achei que tivesse ocorrido o pior com a Tatiana. Então resolvi me preparar para isso, e fui orar. A primeira coisa que fiz foi reunir umas pessoas na igreja em que sou pastor para clamar ao Senhor.
E depois, o que fez?
Uma parente me ligou e disse que todo mundo que estava na ambulância havia morrido. Fiquei em choque, mas achei estranho porque o hospital tinha me falado que a Tatiana estava lá. Depois essa parente me ligou de novo e disse que só a minha mulher tinha sobrevivido.
Qual é a sua sensação quando pensa no ocorrido?
É um alívio. Deus deu livramento para minha mulher. Falei com ela pelo telefone ‘Meu amor, Jesus te ama muito’. O lugar onde ela estava sentada não foi atingido.l Para nós foi um livramento, mas dói saber que houve mortes. Toda população de Brejetuba está sofrendo com isso.
E agora, como será daqui para frente?
Ela está acostumada a viajar para trabalhar, mas esta foi a primeira vez que sofreu um acidente em viagem. Acho que ela vai ficar traumatizada. Espero que agora ela pare de viajar assim, que pense só no marido e nas duas filhas que temos, de 7 e 4 anos.
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