Greve geral contra governo Kirchner deve ter adesão histórica

greve geralA greve geral de 24 horas contra o governo de Cristina Kirchner acontece em meio ao processo de negociações salariais de diversos sindicatos com empresários. Os sindicalistas querem ganho real no salário com reajustes acima da inflação, projetada em 35%. O governo quer limitar esse reajuste para controlar a inflação. A força dos sindicatos nessa queda-de-braço toma conta das ruas do país nesta quinta-feira (10).

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

A greve geral por reajustes salariais acima da inflação tem como ponto forte a paralisação dos meios de transporte. Por isso, antes da meia-noite, eram longas as filas de automóveis particulares nos postos de gasolina. Os frentistas também cruzaram os braços. Mas mesmo quem quiser trabalhar com o seu próprio carro terá de conseguir furar os mais de 40 bloqueios com manifestantes em pontos de acesso a Buenos Aires. O objetivo é cercar a capital argentina.

A greve deve ter forte adesão em bares, restaurantes, administrações públicas municipais e entre os trabalhadores rurais. O líder da ala opositora da Central Geral dos Trabalhadores e do sindicato dos caminhoneiros, Hugo Moyano, garantiu que a paralisação será um sucesso, em coletiva de imprensa horas antes do começo da greve. “Estamos convictos que o dia de amanhã será uma demonstração de que interpretamos a vontade das pessoas porque a paralisação será massiva”, afirmou.

O Ministério do Trabalho publicou anúncio nos jornais no qual garante que “os argentinos querem trabalhar”. Para o governo, a greve é política.

Os sindicalistas garantem que não querem desestabilizar o governo e denunciam que para combater a inflação galopante, projetada em torno de 35% para o ano de 2014, a estratégia do governo é diminuir o poder aquisitivo dos salários, limitando os reajustes a taxas abaixo da inflação. Os líderes sindicais também querem que aumente a faixa de isenção salarial para Imposto de Renda e que haja um aumento nas aposentadorias.

Os sindicalistas temem que o governo use infiltrados para provocar distúrbios que afetem a imagem da greve. Por isso, pela primeira vez, não haverá uma marcha de protesto até a Praça de Maio, no centro de Buenos Aires.

A poderosa Central Geral dos Trabalhadores está dividida entre sindicatos favoráveis e opositores ao governo. A CGT oficialista não faz greve. A força combativa está mesmo com a CGT opositora, com os sindicatos dos caminhoneiros e dos gastronômicos à frente do movimento. Também aderiu à greve a Central dos Trabalhadores Argentinos, com força entre os funcionários públicos municipais. Outra adesão veio por parte da Federação Agrária Argentina, que reúne pequenos e médios produtores rurais.

“Será uma greve histórica”, vaticinou o líder dos gastronômicos, Luis Barrionuevo.

 

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