Grevistas do metrô desafiam Justiça e Tropa de Choque reprime manifestação com bomba - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Grevistas do metrô desafiam Justiça e Tropa de Choque reprime manifestação com bomba

Há tres dias do mundialSÃO PAULO – A três dias do início da Copa do Mundo, a greve dos metroviários em São Paulo entrou no quinto dia e começou com manifestação, às 5h, na estação Ana Rosa, nesta segunda-feira. Manifestantes interditaram a Rua Vergueiro, ao lado da estação, e colocaram fogo em entulhos e pedaços de madeira. A Tropa de Choque da Polícia Militar reagiu e usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Segundo o presidente do sindicato, Altino Prazeres, 70 metroviários que faziam piquetes chegaram a ser mantidos dentro da estação pela polícia e depois foram liberados. No domingo, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerou a greve abusiva. A estação Ana Rosa foi aberta às 8h, com a Tropa de Choque dentro do local.

A Tropa de Choque da Polícia Militar usou bombas de efeito moral também para dispersar também um grupo de estudantes que incentivam a greve dos metroviários. Os jovens se afastaram por uma quadra da estação, onde também funciona um terminal de ônibus, e ocupam o outro lado da via. O trânsito da Rua Vergueiro precisou ser desviado enquanto o Corpo de Bombeiros apagava o fogo colocado durante piquete na via.

Os estudantes gritavam palavras de ordem contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que ameaçou demitir por justa causa os metroviários que continuassem em greve nesta segunda-feira.

A segurança foi reforçada por cerca de 25 policiais militares na Estação Bresser-Mooca. A Polícia Militar informou que “a maioria das estações contaria com o reforço policial”. Mas não soube dizer em quais locais a PM estava presente. Na noite de domingo, Alckmin já havia sinalizado que usaria a Polícia Militar “para garantir a segurança de quem quisesse trabalhar”. O advogado Ricardo Gebrin, que atua para o Sindicato dos Metroviários, disse que 13 metroviários detidos serão levados para o 36º Distrito Policial.

Apenas as linhas 4- Amarela e 5-Lilás, privatizadas, funcionam normalmente. Na Linha 1-Azul, estão abertas as estações Luz, São Bento, Sé, Liberdade, São Joaquim, Vergueiro e Paraíso. Na Linha 2-Verde, estão abertas as estações Paraíso, Brigadeiro, Trianon-Masp, Consolação e Clínicas. Na Linha 3-Vermelha, estão abertas as estações Bresser-Mooca, Brás, Pedro II, Sé, Anhangabaú, República e Santa Cecília.

Um protesto está planejado para seguir até a sede da Secretaria de Transportes Metropolitanos. Devido à continuidade da greve, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) manteve a suspensão do rodízio nesta segunda-feira para veículos com placas 1 e 2. As empresas de ônibus afirmam que 100% das frotas estão nas ruas.

Uma assembleia está marcada para às 13h na sede do sindicato, na Zona Leste, para definir os rumos da greve.

Multa diária de R$ 500 mil

No domingo, os metroviários decidiram manter a paralisação do metrô paulista, apesar de o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ter decretado a greve abusiva e determinado o pagamento de multa diária de R$ 500 mil aos dois sindicatos da categoria – o dos metroviários e o dos engenheiros. O desembargador Rafael Pugliese, relator do processo, afirmou que a paralisação é abusiva porque não foi assegurado o mínimo de serviço à população. Também em votação unânime, os desembargadores determinaram o desconto dos dias parados e a não estabilidade no emprego.

À noite, o governador Geraldo Alckmin ameaçou demitir, por justa causa, os grevistas que não retornassem ao trabalho nesta segunda-feira. – Quem não for trabalhar, incorre em possibilidade de demissão por justa causa – declarou o governador, durante entrevista coletiva na noite deste domingo.

– O TRT decidiu que a greve é a abusiva, totalmente ilegal. Hoje não tem discussão, ela é totalmente ilegal. O TRT definiu o índice do dissídio e a proposta adotada foi a do Metrô. Então, não tem o que discutir. Quero fazer uma convocação para que os metroviários voltem a trabalhar – disse o governador no domingo.

 

 

O Globo.com