Grupo ateia fogo na casa do prefeito durante protesto

casaCasa do prefeito de Tapauá foi incendiada durante protesto contra atraso de salários de servidores (Foto: Enoque Lima/VC no G1)

Um grupo ateou fogo na casa do prefeito do Município de Tapauá, a 449 km de Manaus, durante protesto na manhã desta quinta-feira (14). Segundo os manifestantes, o pagamento dos salários dos funcionários públicos da cidade está atrasado há dois meses. Não havia ninguém na residência no momento do incêndio.

Por telefone, o representante da Prefeitura de Tapauá em Manaus, Rodrigo Albuquerque, confirmou que uma parte da residência do prefeito Almino Gonçalves de Albuquerque foi incendiada. Segundo Rodrigo, as chamas foram controladas e o prefeito pediu reforço policial para o local.

O representante informou ainda que não havia ninguém na casa no momento do incêndio. De acordo com ele, o prefeito está em Manaus.

O estudante universitário Enoque Lima enviou fotos da manifestação ao G1. “Cerca de 5 mil pessoas participaram do protesto e, pelo menos, 500 manifestantes começaram o quebra-quebra”, relatou.

Segundo o universitário, a confusão teve início na Câmara Municipal, quando vereadores prestavam esclarecimento à população sobre as reivindicações. “Revoltados, os manifestantes pediram a cassação do prefeito Almino Albuquerque e que os vereadores tomassem alguma providência”, disse o universitário.

Confusão começou na Câmara Municipal (Foto: Enoque Lima/VC no G1)
Confusão começou na Câmara Municipal (Foto: Enoque Lima/VC no G1)

Em 31 de dezembro de 2011  prefeito do município de Tapauá, a 449 Km de Manaus, Carlos Gonçalves (PMDB-AM) foi preso, na manhã deste sábado (31), em cumprimento a um mandado judicial. Ele é suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e formação de quadrilha. O secretário de administração do município também foi detido.

prefeitotapauaDe acordo com o delegado do 60º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Rildo da Costa Santos, Carlos Gonçalves foi preso na residência onde mora e não reagiu a prisão. “Ele estava tentanto prejudicar as investigações e por isso solicitei a prisão dele”, disse o delegado.

O prefeito e mais três funcionários da prefeitura foram indiciados no dia 22 de dezembro. A prisão foi pedida no dia 26. O caso teve origem a partir de uma denúncia do envolvimento do prefeito com tráfico de drogas. O prefeito teria tentando coagir o delegado para evitar que tivesse o nome envolvido em escândalos.

“Eu já havia iniciado o inquérito para apurar a procedência da droga queimada e encontrada no aeroporto da cidade, da qual consegui recuperar 138 kg de maconha. Ele soube das investigações e me chamou para pedir que não estampasse o nome dele no caso”, afirmou. Ainda segundo o delegado, o prefeito estava acompanhado de dois secretários, entre eles o de administração.

O prefeito e o secretário desembarcaram por volta das 11h20 deste sábado (31), no Terminal 2, do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Zona Oeste da cidade. De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, eles devem ser encaminhados para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

 

Cerca de 30 servidores e universitários de Tapauá, a 450km de Manaus, protestaram contra o prefeito do município, Almino Gonçalves, na manhã desta quarta-feira (21). Os manifestantes se reuniram em frente à sede do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), para cobrar mais rigor na fiscalização das contas do município. Segundo o grupo, o gestor da cidade não investe na infraestrutura do local e deixou de pagar salários dos servidores e de depositar bolsa-auxílio aos universitários.

 

protesto Tapauá

De acordo com o representante do Movimento ‘Vem para Rua Tapauá’, Maron Abílio, a prefeitura do município não efetuou o pagamento de funcionários municipais em dezembro de 2012 e em julho deste ano. “O prefeito sumiu com o dinheiro. Os vereadores já denunciaram isso ao Ministério Público”, afirmou o manifestante.

Abílio, que cursa medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), disse que o movimento também cobra o depósito do auxílio-financeiro no valor de R$ 1.200 aos universitários do município. “Existe um auxílio-financeiro amparado pela Lei Orgânica do Município, que foi revogada este ano pelo atual prefeito. Antes, 200 estudantes universitários de Tapauá, que estudam no Amazonas e em outros estados, recebiam o auxílio, que ajuda no custeio da alimentação, moradia e aquisição de livros”, revelou o representante.

 

Os manifestantes afirmaram ainda que há obras fantasmas e inabacadas no município. “Essas irregularidades já foram denunciadas pelos moradores. Um técnico do Tribunal de Contas comprovou com fotos que as obras de quatro colégios municipais do interior do município não existem. A gente quer saber do Érico Desterro [presidente do TCE-AM) para onde está indo esse dinheiro. A gente não sabe para onde foi o dinheiro do esgoto, da feira, da estrada. Sabemos que o governador [Omar Aziz] está indo para o município esses dias, e esperamos que ele dê uma solução também para a nossa cidade, que está entregue às baratas”, ressaltou Maron Abílio.

Abílio informou que os moradores também solicitaram uma reunião com o prefeito, mas ele teria se recusado a recebê-los. Segundo os manifestantes, no dia 19 deste mês, 4 mil pessoas foram às ruas do município para protestar contra a prefeitura.

Em Manaus, grupo de manifestantes cobra mais rigor do TCE-AM na fiscalização das contas da Prefeitura de Tapauá (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

 

G1.com com Lamartine do Vale