Conhecido como um dos grandes líderes políticos da história do País, Getúlio Vargas foi o principal protagonista no fim da chamada “Velha República” em 1930, quando chegou à Presidência da República. No poder, fez um governo marcado pelo autoritarismo e populismo. Seu primeiro mandato teve duração ininterrupta de 15 anos, de 1930 até 1945 – e dividiu-se em 3 fases: de 1930 a 1934, como chefe do ”Governo Provisório”; de 1934 até 1937 como presidente da República do Governo Constitucional, tendo sido eleito pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e, de 1937 a 1945, como presidente-ditador, durante o Estado Novo, implantado após um golpe de estado. Voltou ao poder em 1951, quando foi eleito por voto direto. Ficou no cargo até 24 de agosto de 1954, quando se suicidou. Na ocasião, enfrentada uma forte pressão da oposição, da imprensa e até de militares que queriam sua saída do Palácio do Catete, então sede da Presidência, no Rio de Janeiro. Sessenta e um anos após sua morte, sua política econômica ainda é, de certa forma, adotada no Brasil.

Apesar do discurso de uma nova era pós-Vargas, proclamado pelo PT, em 1980, logo após a sua fundação, o partido da estrela vermelha, ao chegar à Presidência da República, em 2003, acabou bebendo da fonte Varguista. “No começo o PT não era Varguista. Havia uma rixa com os varguistas. Só que ao chegar à Presidência ele (o PT) não tinha uma política clara. (…) Lula não era Vargas, que era voltado a política social também, mas ainda mais direcionado a política de consumo. A própria aproximação entre sindicato, capital e Estado, do modelo varguista, continuou no PT. Eles não conseguiram acabar com isso ”, argumentou o professor de Ciências Políticas da Universidade de Campinas (Unicamp), Valeriano Costa.

Uma das diferenças entre Vargas e o PT era, claro, o contexto histórico. Em meados do século XX, a concentração populacional brasileira era no meio rural. A industrialização ainda estava engatinhando e o número de sindicatos era muitos reduzido em relação ao período do governo petista. O eterno líder pedetista acabou criando um modelo formal de legislação para “beneficiar” os trabalhadores – a Consolidação das Leis do Trabalho – através da qual os trabalhadores puderam ter direito a férias anuais, descanso semanal remunerado e jornada de oito horas diárias. No entanto, como poucos participavam desses grupos, muitos trabalhadores ainda demoraram longos anos para ter acesso a estes direitos.

“Vargas iniciou esse modelo de incorporação (aos trabalhadores). Ele virou referencial para todo o resto (dos presidentes do Brasil). Lula, por exemplo, tinha que incorporar aqueles que estavam fora do mercado de trabalho. Isso ele fez. Ele simbolicamente deu continuidade, só que em outra conjuntura”, explicou Costa. “O governo criou em 1940 um subsidio, que correspondia a um dia de salário e que era pago aos sindicato por trabalhadores, sendo eles sindicalizados ou não. Desse modo, os sindicatos existentes não passavam de organizações de “fachada”, coordenadas pelos chamados “pelegos”, que estavam mais comprometidos com os interesses dos patrões e do governo do que com o trabalhador”, analisou Moraes.

O pensamento político e econômico Varguista ficou ainda mais evidente, segundo os especialistas, durante a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). Gaúcha e militante do PDT, antes mesmo de se filiar ao PT, a chefe do Executivo carrega em seu DNA, mesmo que indiretamente, o pensamento getulista. “Ela (Dilma) levou essa visão desenvolvimentista de Vargas ao PT. Uma política voltada para o desenvolvimento tendo o Estado como locomotiva que arrasta todo o resto do País”, afirmou Costa.