Homem que atacou delegacia em Paris trazia bandeira do grupo Estado Islâmico

matador islâmicoPoliciais protegem a área em frente a um posto de polícia no 18° distrito de Paris depois que um homem foi morto a tiros. França, 7 de janeiro de 2016.REUTERS/Benoit Tessier

A procuradoria de Paris informou que o homem que foi morto ao tentar agredir policiais em uma delegacia da capital francesa trazia no bolso uma bandeira do grupo Estado Islâmico, impressa em um papel. Uma reivindicação do ato, em árabe, também estava escrita no papel. O homem usava um instrumento semelhante a um colete explosivo, mas não levava bombas.

A tentativa de ataque acontece exatamente um ano depois do atentado ao jornal Charlie Hebdo. De acordo com o Ministério Público, o homem gritou “Allahu Akbar” (“Alá é grande”) ao invadir a delegacia, com uma faca de açougueiro em punho. Os policiais ordenaram que ele se afastasse e, diante da recusa, disparam cinco vezes contra o agressor.  A seção anti-terrorista da polícia francesa está encarregada das investigações.

O porta-voz do Ministério do Interior Pierre-Henry Brandet, confirmou que o acessório usado pelo homem – uma pochete com fios elétricos aparentes e colada ao corpo com fita adesiva – não continha explosivos. O esquadrão anti-bombas da polícia esteve no local para verificar a presença de uma possível bomba.

O homem, jovem, ainda não foi identificado. Ele não levava documentos. “A identificação está em curso e tudo vai ser feito para esclarecer as motivações desse ato”, disse o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, em frente à delegacia.

O jornal Le Parisien indica que a polícia vistoriou um veículo suspeito, encontrado na região. O bairro popular de Goutte d’Or, onde aconteceu o ataque, foi isolado pela polícia, no 18° distrito da capital.

Brasileira relata tensão

“Ouvimos tiros e vimos uma grande quantidade de policiais passando. Foi tudo muito rápido”, conta a estilista brasileira Márcia de Carvalho, que trabalha em uma rua ao lado da delegacia. “Nós recuamos, colocamos uns obstáculos na entrada do ateliê para não ficarmos tão expostos. Mas não houve pânico. O fato de viver em Paris, uma cidade que é alvo declarado do grupo Estado Islâmico, faz com que a gente esteja esperando esse tipo de coisa”, comenta.

A tentativa de agressão ocorreu por volta do meio-dia no horário francês (9h no Brasil). A circulação do metrô na região chegou a ser interrompida, mas voltou ao normal no início da tarde.

Moradores e comerciantes do bairro foram aconselhados a não sair nas ruas, e o comércio ficou temporariamente fechado. O ataque acontece apesar do estado de emergência em vigor na França, depois dos atentados de 13 de novembro.

Policiais são alvo de tentativas de ataque

Em dezembro de 2014, um episódio semelhante ocorreu na cidade de Joué-lès-Tours, na região central da França. Um jovem de 20 anos invadiu uma delegacia e feriu a facadas três policiais, aos gritos de “Alá é grande”. Ele também foi morto pelos agentes.

Nesta manhã, a França continuou a lembrar as vítimas dos atentados de janeiro do ano passado, contra o jornal Charlie Hebdo. O presidente francês, François Hollande, homenageou três policiais mortos durante os ataques de 7 a 9 de janeiro, com um discurso na sede da polícia de Paris. O chefe de Estado defendeu as medidas previstas no novo projeto de lei de mudanças no Código Penal para combater o crime organizado e o terrorismo.

Balanço da luta contra o terrorismo

Hollande ressaltou que o país continua em guerra contra o terrorismo e fez um balanço do trabalho de investigações dos atentados: 25 atividades terroristas foram identificadas e 400 armas foram apreendidas, das quais 40 eram de guerra.

Há exatamente um ano, dois irmãos Said e Chérif Kouachi, invadiam o jornal satírico Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas. Nos dias seguintes, outro jihadista, Amédy Coulibaly, promoveu ataques contra uma policial e um supermercado judaico. No total, 17 pessoas morreram, e os terroristas foram mortos pela polícia francesa.
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