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Imprensa e atletas saúdam “coragem” de ex- jogador da Alemanha que revelou ser gay

jogador gayPrimeiro jogador da seleção alemã a revelar sua homossexualidade, Thomas Hitzlsperger ganhou as manchetes e o apoio dos jornais alemães que circulam nesta quinta-feira (09.01), um dia depois de o atleta ter feito seu “coming out”. Ao tornar pública sua opção sexual, Thomas disse querer contribuir à luta contra a homofobia. Muitos atletas e ex-jogadores também apoiaram a decisão do alemão.

 Em um vídeo divulgado quinta-feira no seu site internet, o ex-meio campista da seleção alemã explicou que sua iniciativa é “importante sobretudo para os homofóbicos” que “devem tomar conhecimento que eles têm um opositor a mais”.

Thomas Hitzlsperger jogou 52 vezes pela seleção da Alemanha entre 2004 e 2010 e ficou conhecido pelo apelido de “Der Hammer” (O martelo, em alemão) em função da potência de seu pé esquerdo.

O jogador, que atuou pelos clubes Aston Villa, Stuttgart, Lazio, West Ham United, Wolfsburg e Everton, disse que o assunto ainda é tabu e pediu mais transparência no mundo do futebol.

 

Na quarta-feira, em entrevista ao site do diário alemão Die Welt, Thomas afirmou querer ajudar os jovens jogadores de futebol homossexuais. “Eles podem se basear em minha experiência e de alguns outros que sim, pode-se ser homossexual e, ao mesmo tempo, jogador de futebol bem sucedido. Isso pode lhes encorajar”, afirmou.

Em outra entrevista, ao jornal britânico The Guardian, o alemão disse ter se inspirado em outras atletas que revelaram ser gays, entre eles, o jogador de basquete norte-americano John Amaechi, o jogador de rúgbi Gareth Thomas, e o nadador britânico Tom Daley, campeão mundial de saltos ornamentais.

Em letras gigantes, o diário alemão Bild, o mais lido da Europa, resumiu em uma palavra a decisão de Thomas: “Respekt” (“Respeito”, em alemão). O diário lembrou que a frase “eu sou gay” não choca ninguém quando pronunciada por um artista ou político, mas é diferente quando se trata do mundo do futebol.

“Para muitos fãs e jogadores, a homossexualidade ainda é sinônimo de leveza, fraqueza e é proibida. Thomas Hitzlsperger é o primeiro grande futebolista alemão a ter tido a coragem de romper esse tabu “, escreveu o jornal alemão.

Apenas o diário especializado Kicker destoou de outros jornais alemães ao lamentar que “em uma Alemanha aberta ao mundo, a sexualidade ou a religião de um esportista não deveria ser notícia”.

A palavra “coragem” foi a mais usada pelos políticos locais para expressar a decisão de Thomas Hitzlsperger. O chanceler Guido Westerwelle, também homossexual, afirmou que sua “coragem merece o maior respeito”.

“É agradável de ouvir, mas isso também faz parte do problema, claro”, reagiu Hitzlsperger em sua entrevista ao jornal The Guardian. “É algo que precisa mudar. Espero francamente que chegaremos ao dia em que ninguém precise mais mencionar a palavra coragem em tais circunstâncias porque será considerado completamente normal um esportista evocar sua homossexualidade”, disse.

Mas ainda é difícil para um esportista em atividade revelar ser gay. “É corajoso da parte de Thomas”, afirmou Fredi Bobic, ex-companheiro de Hitzlsperger na seleção alemã de futebol e atual diretor esportivo do Stuttgart.

Thomas Hitzlsperger, de 31 anos, revelou sua homossexualidade seis meses após ter se aposentado dos gramados. “Estou numa nova fase da minha vida e espero aproveitar meu tempo para falar da minha experiência como jogador de futebol homossexual”, explicou em seu depoimento gravado em vídeo.

Esportistas

“Ele é gay, e daí?”, reagiu Arjen Robben, ataquante holandês do Bayern de Munique sobre a revelação de Thomas. Segundo Robben, trata-se de “algo humano que não tem nada a ver com o esporte”.

Para outro jogador, o alemão Holger Badstuber, a iniciativa de Thomas merece respeito porque ele demonstrou “coragem e força para falar”.

O ex-jogador brasileiro Ronaldo, em entrevista publicada concedida ao jornal Bild nesta quinta-feira disse que como “homem moderno”, vê com satisfação “que a homossexualidade seja cada dia mais aceita”.

RFI