Irmão de Dirceu diz ter recebido mesada de R$ 30 mil de operador e Justiça mantém prisão

irmão de dirceuLuiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro José Dirceu

SÃO PAULO – O juiz Sérgio Moro decidiu manter preso por mais cinco dias o irmão de José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, e o assessor do ex-ministro, Roberto Marques, conhecido como Bob. Também teve o pedido de prisão temporária prorrogado nesta sexta-feira Pablo Alejandro Kipersmit, dono do grupo Consist, empresa que pagou cerca de R$ 15 milhões para a Jamp, do operador Milton Pascowitch.

Ao pedir a prorrogação da prisão, a Polícia Federal anexou ao processo anotações e e-mails apreendidos na casa de Luiz Eduardo. Em depoimento a policiais federais, o irmão de Dirceu afirmou que recebeu uma espécie de mesada de R$ 30 mil de Pascowitch entre 2012 e 2013. Ao perguntar a Pascowitch do que se tratavam os repasses, ouviu que eram para “despesas variadas” e que a pendência seria “resolvida posteriormente”.

Luiz Eduardo disse que pediu para os repasses pararem depois que Dirceu foi preso. Ainda em seu depoimento, Luiz Eduardo declarou que a JD Assessoria, empresa de Dirceu, prestou serviços de consultoria para grandes empresas, mas que essas consultorias nunca envolveram estatais. Na avaliação da Polícia Federal, “há muito ainda a ser aprofundado e apurado” com relação às contas da JD.

Luiz Eduardo afirmou, em depoimento à PF, que apenas administrava a JD Assessoria, cabendo a Dirceu prestar as consultorias. Além de confirmar o recebimento de repasses de Pascowitch, Luiz Eduardo relatou que o ex-ministro usou um avião do delator Júlio Camargo, sem especificar como era o acerto entre eles. Também disse que Dirceu usava um carro registrado em nome da Hope, que oferecia mão de obra terceirizada para a Petrobras e é apontada como principal fonte de propinas ao ex-ministro.

O irmão de Dirceu disse, ainda, que após a prisão do ex-ministro, condenado no mensalão, pediu ajuda a OAS para cobrir as contas. O repasse teria sido feito por meio da empresa Doppio, de um ex-assessor de Dirceu. Foram feitos dois depósitos, no fim de 2013, de R$ 100 mil no total.

A PF apreendeu diversas anotações e emails. Há nomes de várias empreiteiras do cartel, como Odebrecht, OAS e UTC, projetos no Brasil e no exterior e citações, ainda não decifradas pelos investigadores, como “depósito avião (Lula)” e “Sig – Jantar (ou pautar) Sumaré com o Ministro DTófoli – Tito”.

Ao responder sobre essa anotação, Luiz Eduardo contou que foi procurado pelo ex-deputado Sigmaringa Seixas (PSOL-RJ) para intermediar um encontro com o atual ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.

Publicidade

A Justiça Federal liberou ontem outros dois integrantes do grupo de Dirceu: Olavo Moura Filho, irmão do empresário Fernando Moura, e o ex-sócio de Dirceu Júlio Cesar dos Santos. Em depoimento, Julio admitiu que dois imóveis de Dirceu estavam no nome de sua empresa, a TGS. Para Moro, houve ocultação de bens.

Julio, que se apresenta como corretor de imóveis e vendedor de Herba Life, tem intensa troca de emails em que fala sobre compra de imóveis, incluindo uma fazenda no Mato Grosso do Sul avaliada em R$ 7 milhões. Em algumas dessas mensagens, que estão sendo analisadas pela PF, Dirceu está copiado. Embora tenha figurado como sócio da JD, ele nega ter participado dos negócios do ex-ministro.

Olavo confirmou que recebeu pagamentos de Pascowitch, a pedido do seu irmão gêmeo Fernando Moura. Também admitiu que pediu a Fernando que falasse com Dirceu para que o ex-ministro usasse sua “influência política” para ajudar a Hope.

 

O Globo