Jack Warner promete contar tudo o que sabe sobre os escândalos na Fifa e diz temer pela vida.

dirigente da fifaJack Warner disse que Blatter sabe porque anunciou sua renúncia e que ele também sabe

Um dos 14 acusados de corrupção no escândalo que atinge a Fifa desde a semana passada, o ex-vice-presidente da entidade e ex-presidente da Concacaf Jack Warner prometeu não ficar calado diante da pressão que vem sofrendo. Alvo da Interpol e da Justiça dos Estados Unidos, Warner fez um pronunciamento na TV de Trinidad e Tobago, seu país natal, afirmando que teme pela sua própria vida.

– Eu certamente e com razão temo por minha vida. Coloco meu futuro nas mãos das pessoas. Eu disse a verdade nas minhas declarações. Meus advogados estão fazendo contato com as autoridades, dentro e fora de Trinidad e Tobago, com relação às declarações que eu fiz. Eu me mantive quieto. Eu não vou mais fazer isso – disse Warner, que disse que uma “avalanche está vindo”.

– Peço desculpas por não ter revelado antes o que sabia sobre estes fatos. Nem mesmo o medo da morte vai impedir essa avalanche que está vindo. Não tem volta. Eu me mantive quieto, temendo que este dia chegasse. Não vou mais manter segredos para aqueles que procuram destruir o país – completou o ex-dirigente no pronunciamento chamado de “as luvas estão de fora”.

Warner não chegou a ser preso na quarta-feira da semana passada, quando sete dirigentes foram detidos pela polícia da Suíça em uma operação junto com o FBI, a polícia federal americana. Mas no mesmo dia se entregou voluntariamente à polícia de Trinidad e Tobago e saiu na sequência após pagar uma fiança de US$ 400 mil (R$ 1,2 milhão).

Nos últimos dias, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, foi acusado de ter autorizado o envio de propina para Warner. A Fifa reagiu dizendo que o dinheiro era para o desenvolvimento do futebol do Caribe e que Valcke não sabia de nada, mas uma uma carta divulgada pelo jornal inglês “Daily Mail” mostra que o francês sabia do envio do dinheiro. O FBI investiga o envolvimento de dirigentes e empresários nos caso de corrupção, fraude, extorsão, lavagem de dinheiro e propinas no valor de US$ 150 milhões (cerca de R$ 450 milhões).

No pronunciamento, Warner garantiu ter documentos que ligam dirigentes da Fifa com as eleições presidenciais de Trinidad e Tobago em 2010. E avisou que não somente Blatter, mas também ele sabe o motivo pelo qual o dirigente anunciou sua renúncia quatro dias depois de ser reeleito presidente da Fifa.

– Você não pode dizer que está renunciando e continuar. Ele causou o meu fim. Eu não causei isso. Blatter sabe por que caiu e eu também sei. Nunca recebi nenhum suborno da África do Sul – garantiu.

POLÍCIA SUL-AFRICANA INVESTIGA SUBORNO

Enquanto Warner promete falar o que sabe, a polícia sul-africana está investigando as acusações de suborno envolvendo a escolha da Copa do Mundo de 2010. O caso também está sendo investigado pelo FBI. Os sul-africanos iniciaram uma investigação depois do pedido de um pequeno partido do país chamado Freedom Front Plus.

– Nos entregaram documentos para dizer que pessoas estavam implicadas neste desastre e estamos comprovando suas alegações – disse Hangwani Mulaudzi, porta-voz da polícia.

No entanto, ainda não há nenhuma acusação formal contra dirigentes envolvidos na escolha do Mundial sul-africano.

O governo sul-africano mantém a posição de que não pagou qualquer suborno para receber a Copa.

– Estamos dispostos a explicar, inclusive ao FBI, por que este dinheiro não é um soburno. Se esse dinheiro foi mal utilizado, não sabemos de nada. Não podemos ser considerados responsáveis e não podemos ser acusados de nada – disse o ministro dos Esportes do país, Fikile Mbalula.

O Globo