Janduhy critica cúpula da segurança pública por fugir do debate sobre a insegurança na Paraíba

janduhy violênciaO deputado Janduhy Carneiro (PTN) criticou a falta do secretário de Segurança Pública do Estado, Cláudio Lima, e do comandante da Polícia Militar da Paraíba, Coronel Euiler Chaves, no debate realizado pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), que realizou nesta quinta-feira (6) uma sessão especial para debater o problema da segurança pública no Estado.


Em seu pronunciamento, o deputado Janduhy Carneiro lembrou que a situação dos policiais paraibanos é crítica e que eles necessitam de melhores condições materiais e salariais para enfrentar o índice crescente da criminalidade e da violência em todo o estado da Paraíba.

O deputado criticou a ausência da cúpula da segurança pública no debate sobre a questão da violência no estado. “Não compareceu nenhum chefe da segurança pública e sequer enviaram um representante para participar de um evento tão importante como este, que visa buscar discutir e procurar soluções para essa criminalidade sem fim que tomou conta da Paraíba” criticou o parlamentar.

 

Janduhy lembrou ainda que o governo investe milhões em propaganda para mostrar uma da Paraíba que não existe, ao invés de investir em policiamento preventivo e ostensivo. “Faltam policiais para realizar a segurança pública em nosso estado, além da falta de estímulo da tropa que a cada dia que passa perde os seus direitos que imaginavam estar garantidos. Não se paga salário real aos policiais. O governo está dando uma bolsa que quando o policial vai para a reserva perde. Eles estão ostensivamente nas ruas e quando perdem a vida os familiares são prejudicadas, pois sequer ao gratificação de periculosidade eles têm direito”, reclamou Janduhy.

 

Finalizando o seu pronunciamento, Janduhy lembrou que durante a campanha eleitoral o governador Ricardo Coutinho prometeu realizar concurso público e pagara o Plano de Cargos e Salários dos policiais. Mas a única coisa que o governador faz é descumprir a legislação, sem acatar decisões judiciais, a exemplo dos policiais que pediram licença e não podem mais voltar ao trabalho. Lamentavelmente aqui na Paraíba nós estamos vendo de tudo o que se pode imaginar em termos de descumprimento da legislação, pois já são mais de  200 ordens judiciais descumpridas pelo atual governo”, concluiu Janduhy.

 

A propositura da sessão foi do deputado Dinaldinho Wanderley (PSDB), subscrita pela deputada Camila Toscano (PSDB) e pelo deputado Renato Gadelha (PSC), líder da oposição na Casa Epitácio Pessoa. Entre os encaminhamentos, foi aprovada a proposta da criação do Comitê de Gestão daSegurança Pública com entidades e profissionais ligados à segurança, parlamentares, órgãos públicos e movimentos sociais.

 

Além do deputado Janduhy Carneiro e dos deputados que subscreveram a sessão especial, estiveram presentes representantes das polícias e agentes penitenciários, movimentos sociais, Ministério Público, Tribunal de Justiça, entidades de classe, entre outros órgãos. Durante a atividade se discutiram os problemas e apontaram soluções para o grave problema da segurança pública.

O promotor Marcus Leite, responsável pelo Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial, em Campina Grande, disse que o principal foco dos crimes de homicídio é o narcotráfico. “O que mais vemos é bandido matando bandido para ocupar espaço no comando do tráfico ou por débitos com o tráfico”, relatou. Defendeu a mudança da legislação, que segundo ele beneficia bandido. “Essa lei está caduca e temos que sensibilizar os parlamentares para esta mudança”, disse, acrescentando que é necessário acabar com progressão de pena e regime semiaberto. Ele disse ainda que para prevenir crie tem apenas uma receita: polícia na rua.

O presidente do Clube dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar da Paraíba (COPB) falou da falta de efetivo e disse que a Paraíba vive uma política de pessoal ‘desastrosa’, onde os policiais só acumulam perdas. Ele afirmou que isso desestimula o policial, que além de ter que trabalhar com a falta de estrutura vais às ruas sabendo que tem o seu salário reduzido e tem benefícios cortados.

Sugestões – Já o superintendente substituto da Policia Rodoviária Federal na Paraíba, Jeferson Antônio, revelou que 280 policiais se reversam em escala de serviço na Paraíba, distribuídos em 11 postos operacionais. “O efetivo não é suficiente para atender a demanda do Estado, mas estamos trabalhando para reverter esse quadro”, disse.

A entidade também apresentou propostas para melhoria da segurança no Estado. Entre as sugestões apresentadas está a criação de um espaço (Comitê de gestão de segurança e prevenção de crimes) para debater a questão da violência e medidas para solucionar o problema, criação de grupos de whatsaps oficiais e integração oficial entre as policiais para melhorar a troca de informações. Também sugeriu uma fiscalização maior das motocicletas, que segundo eles, é o principal meio de transporte dos bandidos.

Mapa da Violência – Levantamento do Mapa da Violência 2015 apontou a Paraíba como o 5º estado em número de mortes a cada 100 mil habitantes. São 33 homicídios. Os dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura apontam 33 homicídios a cada 100 mil habitantes ocorreram no estado em 2012.

Além disso, João Pessoa figura no ranking como a terceira cidade mais violenta do país, ficando atrás apenas de Maceió e Fortaleza. A capital paraibana ficou entre as que tiveram “graves aumentos na década”, subindo 100,1% na taxa de óbitos por 100 mil habitantes por arma de fogo de 2002 para 2012.

Bancos – Este ano, a Paraíba teve 88 casos de violência contra bancos, até o último dia 3 de agosto. Os dados são do Mapa da Violência contra Bancos na Paraíba em 2015, divulgado pelo Sindicato dos Bancários.

Assessoria