Jayme e Cristóvão celebram Fla x Flu inédito com técnicos negros - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Jayme e Cristóvão celebram Fla x Flu inédito com técnicos negros

clássico fla e fluFlamengo e Fluminense entrarão em campo neste domingo, às 16h, no Maracanã, para o jogo válido pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. E mesmo sem maiores atrações dentro das quatro linhas ou títulos em disputa, o tradicional clássico será histórico neste final de semana. Pela primeira vez em mais de 100 anos do confronto, os rivais da Gávea a da Laranjeiras serão comandados, ao mesmo tempo, por técnicos negros.

Em tempos de debates cada vez mais intensos e polêmicos sobre o racismo, o rubro-negro Jayme de Almeida e o tricolor Cristóvão Borges celebram o pioneirismo e o avanço no combate ao preconceito racial.

“Antes de mais nada, é um prazer enorme jogar um Fla x Flu com o Cristóvão do outro lado. Tenho muito carinho e respeito por ele. E é algo bonito ter dois ex-atletas dos clubes. Sobre o racismo, infelizmente, a história do futebol no Brasil é assim. E não é só no futebol, todos os segmentos da sociedade sofrem com isso. É um país que vem da escravidão e demorou a se libertar. Agora as oportunidades estão aparecendo mais. Temos que aproveitar e lembrar que todos são iguais. É uma vitória contra qualquer preconceito e um retrato muito bonito para este clássico com tanta história”, disse Jayme.

O técnico do Fluminense endossou o coro do companheiro e ainda lembrou a rejeição em algumas situações recentes por conta de sua cor.

“É uma demonstração que estamos avançando. Não deixa de ser a quebra de algumas barreiras, estarmos ocupando esse espaço. O acesso é difícil, a dificuldade não é só racial, mas é social também. Assim como existem cotas nas universidades, o futebol também tem acesso difícil. É um grande acontecimento. É a quebra de uma barreira. O fato de sermos negros e dirigirmos clubes de tradição. É muito pouco ainda, mas é um avanço. Nunca cheguei a perder uma oportunidade, não. Mas o que já percebi é que o fato de ser negro diminuiu bastante a tolerância no começo do trabalho. A medida em que meu trabalho foi acontecendo fui ganhando mais respeito. Você vê que a tolerância é menor. Dava para perceber que era por causa disso. Mas agora dá para perceber que isso diminuiu com os trabalhos importantes e as críticas positivas que recebi”, contou Cristóvão.

 

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