João Almeida tenta justificar seu pedido oficial de retaliação a imprensa da PB - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

João Almeida tenta justificar seu pedido oficial de retaliação a imprensa da PB

JOAOO vereador João Almeida (PMDB) apresentou nesta quarta-feira (2) um requerimento na Câmara de João Pessoa solicitando que o portal político Parlamentopb seja retaliado pela Casa Napoleão Laureano. De forma oficial, o parlamentar solicita que a CMJP interrompa a publicidade oficial no site por ter se desagradado de uma opinião da jornalista Claudia Carvalho reproduzida em uma coluna no Jornal A União e no ParlamentoPB . Almeida tentou justificar sua atitude afirmando que se sentiu agredido.

A irritação do vereador partiu de uma opinião externada na coluna da editora do site. Nela, a jornalista lamenta a defesa que João Almeida fez à censura para veículos de Comunicação por, nas palavras dele, veicularem “putaria” e “sacanagem”.

Veja na íntegra o texto da jornalista.

A censura é tendência 

Na semana que passou, numa discussão sobre a necessidade de preservar a moral e os bons costumes, na Câmara de João Pessoa, o vereador João Almeida (PMDB) externou, de maneira grosseira, sua preocupação com os efeitos maléficos da liberalidade da comunicação de massa sobre o comportamento do brasileiro. Para ser mais exata, ele detonou algumas atrações da Rede Globo que, em sua ótica, banalizam o sexo. Usando as palavras do peemedebista, em alguns programas (Malhação e novelas), existiria “uma putaria” e estímulo “à sacanagem”. Em seu momento de indignação, João chegou a se queixar da inexistência de censura sobre o conteúdo televisivo. 

Não existe censura para os discursos parlamentares. Para eles, criou-se um instrumento de controle chamado “decoro” que deveria fazer com que o nível dos debates travados nos plenários não permitisse, ao menos na forma, o constrangimento do eleitor que elegeu determinado representante. A língua portuguesa, rica e complexa, comporta tantos sinônimos quanto necessários para poupar nossos ouvidos de expressões rasteiras e contraditórias vindas de alguém que se diz preocupado exatamente com a moral. Paradoxalmente, não demonstra “bons costumes”. 

A programação televisiva, assim como a representação política, refletem um momento vivido pela população. Discutível seria imaginar o que significa a libertinagem televisiva sob a ótica do vereador que há poucas semanas exultava com a veiculação, na Câmara, de material produzido pelo xiita Jair Bolsonaro contra políticas públicas do Governo de Dilma Rousseff para a educação sexual de crianças e adolescentes. 

João, contraditório por excelência, não deve considerar obscena, contudo, a compra de votos. Em 2008, ele foi denunciado por suposta participação num esquema que o Ministério Público Federal classificou como formação de quadrilha. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça na Operação Sufrágio mostraram o aprendiz de censor em conversas com lideranças comunitárias oferecendo material de construção e combustível em prol de sua própria eleição e do amigo e ex-deputado Fabiano Lucena. 

No país que Charles De Gaulle teria dito não ser sério, o processo acabou sem resultado prático. Fabiano teve vergonha e deixou a política. João não pensou em autocensura. Achou melhor virar o holofote para a Globo. 

Tristemente, o discurso bizarro do vereador veio em uma semana em que a mídia brasileira foi alvo de duas situações vergonhosas. Em uma delas, o Jornal do Commercio e Diarios Associados de Pernambuco foram impedidos, pela Justiça, de publicar o nome do presidente da Assembleia, Guilherme Uchoa, em matérias sobre um polêmico caso de concessão de guarda de um bebê. Na outra, no Paraná, o jornal Gazeta do Povo, foi proibido de publicar notícias sobre o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Clayton Camargo, investigado pelo CNJ por suspeita de venda de sentença. 

Blindar os fatos não torna a atividade política, jurídica ou qualquer outra cândida. Vergonha na cara e respeito é que dispensam uso de censura e tornam o mundo um ambiente familiar.

O vereador, que não gostou da analise, apresentou o requerimento na CMJP solicitando que fosse retirado do portal a propaganda institucional do veículo eletrônico.

Em contato com o MaisPB, na tarde desta quarta, João Almeida disse que se sentiu agredido pela coluna em sua honra. Ele argumentou que “a CMJP não pode gastar sua verba de com veículos de comunicação que denigrem a imagem das pessoas, sejam elas quem forem”.

Écliton Monteiro –  MaisPB