Jogos podem mudar cultura brasileira no trato ao terrorismo

Jogos podem mudar cultura brasileira no trato ao terrorismo

FORÇA NACIONALO fantasma do terrorismo ronda o solo brasileiro. Não podemos ser alarmistas, mas com a proximidade dos Jogos Olímpicos aumenta a tensão em relação ao processo de segurança no Rio de Janeiro e, claro, em todo o Brasil. Estes Jogos podem trazer uma novidade para o país. Não temos hábitos nem cultura de prevenção e cuidados com segurança quando o tema é terrorismo.

 

O cidadão médio brasileiro está acostumado a se pensar como um homem cordial, que vive dentro de uma relativa paz – sem grandes conflitos étnicos, religiosos ou de separatismos – toda uma gama de eventos e experiência que o cidadão europeu vivenciou ao longo de séculos. Agora o terror aparece com uma realidade próxima a todos nós.

 

Nesta segunda-feira (18) tivemos um pequeno exemplo desse processo, quando aeroportos começaram a aumentar o esquema de segurança. O queixume foi geral: longas filas, aumento do tempo de revista dos indivíduos. Algumas pessoas já falaram até em excessos por parte das forças de segurança mobilizadas para os jogos.

 

A tendência é esse processo aumentar, envolvendo, por exemplo, também a questão da mobilidade e do trânsito. Mesmo tendo um histórico positivo na questão terrorismo, o país não pode descuidar. Há informações que dão conta de 85 mil homens e mulheres envolvidos no esquema de segurança em torno dos Jogos Olímpicos do Rio – incluindo a Força Nacional.

 

Em 2012, nos Jogos de Londres a tensão também foi máxima. Á época o secretário de Defesa Philip Hammond, chegou a afirmar que as Olimpíadas seriam o maior desafio de segurança enfrentado pelo seu país em décadas. Vale lembrar que era a terceira vez que a Inglaterra sediava Jogos Olímpicos.

Alguém pode dizer: mas a Europa é alvo do terrorismo, o Brasil não. Mas não podemos relaxar e, talvez por isso mesmo, o Jogos Olímpicos podem ser um fator para alterar os hábitos e cultura do cidadão brasileiro no trato com o problema da segurança e do terror.

Já foi criado, no ambiente dessas novidades, o Centro Integrado de Enfrentamento ao Terrorismo (Ciet). E sabemos que se intensificou o diálogo com países como França, Israel e Estados Unidos –  todos com experiência muito mais avançada no trato ao terrorismo do que o Brasil, já que esse nunca foi um problema nosso.

Agora é. E é inclusive muito além das Olimpíadas. Veja: não podemos imaginar que são os Jogos ou qualquer outro evento grandioso que nos traz a ameaça do terrorismo. Do modo como andam as coisas no mundo global, o terror é afeito a nossa gente brasileira independente destes Jogos. O mal banalizado pelo terrorismo não escolhe momento, nem nenhuma pátria. Não podemos mais achar que estamos preservados pelo mito da natureza gigante e esplendorosa, pelo riso largo, pelo abraço sempre aberto e amigo de nossa gente. Nada disso vai nos garantir segurança, mas apenas a ação racional, planejada de um esquema de segurança – que inclusive para manter-se seguro, não se revela completamente. O segredo nesse campo ainda tem valor.

Minha esperança é que, motivados pelos Jogos, os brasileiros consigam perceber que participamos de uma lógica global que nos traz benefícios, mas também nos deixa nervosos, tensos e submetidos agora a uma disciplina mais rigorosa no trato com esquemas de segurança. Essa talvez seja a novidade que os Jogos Olímpicos podem deixar pra todos nós: a mudança de hábito. E muitas medalhas de ouro, claro.

VirtuPB