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Justiça julga hoje legalidade de greve de metroviários em São Paulo

grve dos metroviáriosO Tribunal Regional do Trabalho julga neste domingo (8) a legalidade da greve dos metroviários de São Paulo. O julgamento atende a um pedido do governador de São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB). A categoria ameaça manter a paralisação até a quinta-feira (12), dia de abertura da Copa do Mundo.

 No final da tarde de ontem, os metroviários se reuniram em mais uma assembleia para decidirem sobre o futuro da greve. A categoria reivindica um reajuste salarial de 12,2%, com possibilidade de aceitação de contraproposta de 10%. O Metrô, porém, manteve os 8,7%, já oferecidos na quinta-feira passada.

Durante a tentativa de conciliação, o Metrô argumentou que a empresa não tem condições financeiras de arcar com um percentual maior de reajuste salarial. De acordo com a companhia, as passagens não são corrigidas há dois anos. No entanto os metroviários insistem que, como o governo subsidia parte das tarifas das linhas privadas do Metrô, ele poderia aplicar essa medida para todas as demais linhas. Os trabalhadores também propuseram ontem um dia de salário dos funcionários em troca da “catraca-livre” (entrada gratuita de todos os passageiros). Mas a proposta foi rechaçada pela companhia.

“Com a falta de desfecho para o caso, será realizado o julgamento dos dissídios para este domingo às 10h. (…) Serão decididas questões como reajuste salarial, abusividade ou não da greve, compensação e/ou desconto dos dias parados, vale-alimentação, vale-refeição, entre outros. Participam da votação os magistrados que compõem a SDC, órgão responsável por decidir questões envolvendo dissídios de greve e econômicos (a SDC é formada por dez magistrados, mas funciona com quórum mínimo de seis julgadores)”, informa, em comunicado, o Tribunal Regional do Trabalho da Segunda Região de São Paulo.

Problemas na Copa

De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho, “a rapidez extraordinária com que o caso está sendo conduzido deve-se ao Plantão Especial da Copa, organizado pelo TRT-2. O plantão tem como objetivo resolver demandas urgentes que envolvam trabalho degradante, infantil e dissídio coletivos durante a Copa do Mundo”, diz o órgão..

Rogerio Malaquias, porta-voz do Sindicato dos Metroviários de São Paulo mantém um tom de amaeaça: “Enquanto houver o uso da força, o movimento vai continuar e é possível que dure até a Copa do Mundo”, afirmou.

Para a presidente Dilma Rousseff (PT), a greve é «uma campanha sistemática para denegrir o governo e a Copa do Mundo ». Segundo Dilma, esse movimento tem apenas uma finalidade “eleitoreira”.

Neste domingo, os metroviários realizam uma nova assembléia à tarde. Em nota, a categoria informa: “O Sindicato entrará em contato com a presidenta Dilma Rousseff e pedirá que ela venha a São Paulo para intermediar uma negociação com o governador Alckmin.”

Repercussão internacional

A imprensa internacional destaca a queda-de-braço entre o governo de São Paulo, o governo federal e os metroviários a menos de uma semana do começo da Copa. A agência AFP lembra que o metrô é o meio de transporte “mais prático para chegar à Arena Corinthians, estádio do jogo de abertura do Mundial”.

O site da revista Le Nouvel Observateur noticia ainda que « A chegada do Mundial é um momento propício para pressionar as autoridades».

Para o jornal Libération, “tudo leva a crer que o pesadelo vai recomeçar na madrugada de segunda-feira se a greve for mantida”.

 

RFI