João Pessoa 14/12/2018

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Justiça nega apelo de adolescentes acusados de matar professor a facadas em Pedras de Fogo

O crime foi motivado por vingança, já que um dos autores do delito teria um relacionamento amoroso com a vítima. Conforme a polícia, o professor teria tornado pública a relação e, por vingança, o suspeito armou o crime com os comparsas.

O corpo do professor foi encontrado na zona rural de Pedras de Fogo, com aproximadamente 32 perfurações, no dia 26 de fevereiro, após ter desaparecido no dia anterior. (Foto: Arquivo)

Os adolescentes acusados de matar a facadas o professor pernambucano Walyngre da Silva Costa, de 38 anos, no dia 25 de fevereiro deste ano, na cidade de Pedras de Fogo, na Paraíba tiveram o apelo de nulidade da sentença negado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, nesta sexta-feira (23).

O crime foi motivado por vingança, já que um dos autores do delito teria um relacionamento amoroso com a vítima. Conforme a polícia, o professor teria tornado pública a relação e, por vingança, o suspeito armou o crime com os comparsas.

O corpo do professor foi encontrado na zona rural de Pedras de Fogo, com aproximadamente 32 perfurações, no dia 26 de fevereiro, após ter desaparecido no dia anterior.

Entendendo ser adequada a medida excepcional de internação aplicada pelo Juízo de 1º Grau aos três adolescentes envolvidos na prática de ato infracional análogo ao delito de homicídio qualificado, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba, negou provimento ao apelo, que buscava a anulação da sentença.

O relator da apelação feita pela Comarca de Pedras de Fogo, foi o juiz Miguel de Britto Lyra Filho, convocado para substituir o desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos.

Conforme a denúncia, por volta das 20h, do dia 25 de fevereiro de 2018, na cidade de Pedras de Fogo-PB, três adolescentes, de posse de facas desferiram vários golpes contra  Walyngre da Silva Costa, os quais, por sua gravidade, foram responsáveis pela morte do ofendido. O crime foi cometido mediante emboscada e por motivo fútil. Segundo se desprende das investigações, a vítima tivera um relacionamento íntimo com um dos adolescentes, tendo divulgado tais fatos após o término, em 2017.

Ainda de acordo com os autos, buscando vingança, o adolescente teria enganado a vítima para que comparecesse ao local em que costumavam se encontrar para se relacionarem, onde outro menor e o maior Eduardo Emiliano Gomes esperavam para cometer o assassinato.

A defesa dos apelantes arguiu três preliminares: uma de nulidade, tanto da sentença, quanto por suposta ilegalidade na participação de assistente de acusação no processo para apuração de ato infracionário. As outras duas são referentes à inépcia da inicial e fragilidade das provas.

Em relação à nulidade da sentença, o relator enfatizou que não há que ser declarado um ato como nulo, se da nulidade não resultar prejuízo. “Sob esse viés, considerando que a defesa dos representados se manifestou em todas as oportunidades, exercendo seu contraditório e ampla defesa em sua maior amplitude, não há que se falar em nulidade”.

Quanto à fragilidade no acervo probatório alegado, o relator entendeu que as provas são suficientes e apontam a autoria dos fatos análogos a homicídio qualificado. Em relação à inépcia da inicial, argumentou que a descrição dos fatos indica a participação dos apelantes na prática do ato infracional.

O relator entendeu, ainda, a medida de internação mostra-se adequada para a espécie, não vislumbrando mácula na medida socioeducativa aplicada pelo Juízo monocrático. “A medida de internação, embora severa, tem o objetivo primeiro de proteger e educar integralmente o infrator. A finalidade da medida não é outra que não seja a recuperação dos adolescentes, a partir da compreensão da gravidade de sua conduta e da introdução de princípios e valores éticos e morais, possibilitando, desse modo, a sua ressocialização”, ressalta.

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