LAVA JATO: Aguinaldo Ribeiro é apontado na lista dos ‘frequentadores’ da Petrobras

aguinaldo lava jatoRegistros de entrada e saída do edifício-sede da Petrobras no Rio de Janeiro, solicitados por investigadores da Operação Lava-Jato, apontam encontros de parlamentares investigados por suposta participação no esquema com o ex-diretor da petroleira Paulo Roberto Costa e outras autoridades, inclusive com a ex-presidente da estatal, Graça Foster. O ex-ministro e deputado federal paraibano, Aguinaldo Ribeiro, é apontado como um dos parlamentares que foi a estatal no período de negociações entre o PT e o seu partido, o PP.

A Polícia Federal solicitou os registros da portaria do prédio a partir de 2007. Não foram verificados dados do escritório da estatal em Brasília. Os investigadores analisaram o registro de entrada dos 39 investigados no inquérito que corre perante o Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suposta formação de quadrilha.

Vários parlamentares e ex-parlamentares do PP investigados frequentaram a Petrobras. O deputado do PP e ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PB) teve duas entradas para falar com Paulo Roberto Costa. Também foram duas vezes ao prédio da Petrobras no Rio o senador do PP Benedito de Lira (AL), o deputado do partido Jerônimo Goergen (RS) e o ex-deputado da sigla, Luiz Argôlo. O ex-deputado do PP João Pizzolatti entrou três vezes na Petrobras.

Ao ser citado pela primeira vez na Operação Lava Jato, Aguinaldo se defendeu e disse que o inquérito no qual aparece seu nome foi arquivado. “O processo específico que cita o meu nome foi mandado arquivar pelo Ministério Público Federal por absoluta falta de elementos enquanto que a outra parte que não foi arquivada eu não tenho conhecimento sobre o caso e irei aguardar o momento oportuno para me pronunciar, só adianto que em 2010 eu era deputado estadual e nem era conhecido nacionalmente. Todavia, prefiro aguardar o teor do inquérito, não tenho nada a temer e acima de tudo defendo a investigação de todas as denúncias”, declarou.

A investigação aponta mais de 45 registros de entrada do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE). O parlamentar é apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos delatores da Operação Lava-Jato, como um “interlocutor” do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no contato com a diretoria da estatal. A maioria dos encontros de Gomes foi com o próprio Paulo Roberto Costa.

Gomes se reuniu também com o ex-diretor Néstor Cerveró, com o ex-gerente executivo de Comunicação Institucional da estatal Wilson Santarosa e com o ex-diretor José Alcides Santoro. Não foram encontrados registros de entrada de Renan Calheiros no período analisado.

Depois de Aníbal Gomes, o político investigado no inquérito relativo a formação de quadrilha que esteve mais vezes na Petrobras foi o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que tem 12 registros de entrada no prédio da estatal, onde esteve reunido com Paulo Roberto Costa. O parlamentar do PP também se encontrou com o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, que já confessou ter recebido propinas em contratos da Petrobras com empreiteiras, além de ter se reunido segundo os registros com o ex-presidente da empresa José Sérgio Gabrielli e com o ex-gerente Djalma Rodrigues.

Foram contabilizados ainda no prédio da empresa dez registros de entrada do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com visitas a Paulo Roberto, Djalma Rodrigues, Barusco e também à ex-presidente da estatal Graça Foster. Também foram registradas dez entradas do deputado José Otávio Germano (PP).

O lobista Fernando Baiano esteve cinco vezes no prédio da estatal, sendo que os investigadores destacam um encontro com Paulo Roberto Costa no qual ele estaria representando a empresa Iberbras.

— É possível que se trate da empresa Iberbras Integración de Negócios Y Tecnologia S.A., citada na denuncia do MPF como uma das destinatárias dos pagamentos oriundos da offshore Piemon Investment Corp, no Banco Winterbothan, no Uruguai, de propriedade de Julio Camargo — escrevem um agente e um escrivão da PF que analisaram o material.

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) esteve no prédio como ministro de Minas e Energia duas vezes, uma com Gabrielli e outra com Graça. Mais dois senadores peemedebistas estiveram no prédio da Petrobras: Romero Jucá (RR), cinco vezes, e Valdir Raupp (RO), três vezes.

(Com Conteúdo Estadão)