Le Figaro: Lula assumiu papel que Dilma foi “incapaz” de cumprir

Le Figaro: Lula assumiu papel que Dilma foi “incapaz” de cumprir

lula dilma foiincapazEx-presidente Lula participa de manifestação contra o impeachment.REUTERS/Pilar Olivares

A França acompanha de perto os desdobramentos da situação política no Brasil. O jornal Le Figaro indica que a maratona na Câmara é o início da “hora da verdade” para o país. O diário detalha a reta final para a busca de apoio político pelos dois lados, a favor ou contra a presidente Dilma Rousseff.

Le Figaro afirma que o vice Michel Temer “abandonou toda a discrição” e assumiu a liderança da oposição, oferecendo cargos no seu eventual governo em troca de votos a favor do “sim” ao impeachment. Do outro lado, diz o jornal francês, cabe ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconquistar ex-aliados. Le Figaro escreve que Lula assume uma articulação política que Dilma “se mostrou incapaz de cumprir”.

Outro importante jornal francês, o Le Monde, publica quase duas páginas de análises sobre se o impeachment deve ou não ocorrer. O diário dá a palavra ao Movimento Democrático do 18 de março, que reúne franceses e brasileiros vivendo em Paris e é contra a saída da presidente do poder. O movimento defende a tese de que um golpe está em curso no país.

Ainda nas páginas do Monde, o cientista político francês Frédéric Louault, da Universidade Livre de Bruxelas, discorda da tese de golpe de Estado e avalia que Dilma Rousseff “é vítima de um sistema político ultrapassado que o seu partido não soube reformar”. O especialista na política brasileira afirma que o PMDB, “um verdadeiro sanguessuga”, sempre foi um dos mais resistentes à reforma política no Brasil e, agora, orquestra a derrubada do governo do qual participou.

Manifestações em Paris

Na França, as manifestações contra e a favor do impeachment estão marcadas para a tarde deste domingo, na praça da República e perto da embaixada do Brasil em Paris. Os protestos acontecem regularmente desde o início de março e costumam reunir de 100 a 200 pessoas, entre estudantes, brasileiros residentes em Paris e franceses que têm empatia pelo país.

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