Leilão de obras de Miró arrecada € 62 mil para refugiados

leilão - refugiadosLote de 28 obras do artista espanhol Joan Miró foi doado pelo neto do artista à Cruz Vermelha

Um leilão de 28 obras do artista espanhol Joan Miró, em favor dos refugiados, conseguiu arrecadar nesta quinta-feira (19), em Londres, quase 62.000 euros, informou a casa de leilões Christie’s.

As obras foram doadas por Joan Punyet Miró, neto do artista, para a Cruz Vermelha com o objetivo de ajudar os refugiados. O neto do pintor catalão disse que fez a doação porque é isso que o avô desejaria. “Eu me considero um transmissor de sua vontade e acredito que isso é o que ele faria se estivesse vivo”, declarou sobre Miró, que morreu em 1983 aos 90 anos.

“Miró era um homem que passou muitas dificuldades ao longo de sua vida, ele passou fome, viveu a Guerra Civil Espanhola e o exílio durante a Segunda Guerra Mundial, soube por Pablo Neruda o drama do barco ‘Winnipeg’ e também conheceu o drama dos campos de refugiados”, relatou Joan Punyet.
O neto de Miró fez referência ao navio “Winnipeg” que o poeta chileno fretou para transportar dois mil refugiados espanhóis que deixaram o país por medo de represálias após a vitória de Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Miró, que ra um simpatizante republicano, estava na França no início do conflito espanhol e decidiu ficar em Paris. Sua esposa e filha se juntaram a ele e viveram na França até 1940, quando a invasão nazista o levou de volta à Espanha.

“Sua vontade sempre foi a de ajudar os desfavorecidos, os refugiados e exilados. E devemos ser conscientes de que o que está acontecendo hoje na Síria pode acontecer amanhã na Espanha”, disse Punyet.

O leilão superou os € 50 mil calculados pela Galeria de arte Mayoral de Barcelona, que expôs as obras em vários lugares antes da venda em Londres.

Gratidão pela Cruz Vermelha

Além disso, há outra história que liga Miró com a Cruz Vermelha, envolvendo um médico da organização que salvou a perna da única filha do artista após um grave acidente de carro. “Em 31 de dezembro de 1965, um trem colidiu com o carro em que viajavam minha avó e minha mãe quando passavam por uma passagem de nível em Montroig del Camp”, em Tarragona (nordeste da Espanha), contou o neto do pintor.

A mãe de Punyet ficou gravemente ferida e os médicos aconselharam que sua perna fosse amputada abaixo da cintura. “Então apareceu um jovem médico chamado Rafel Orozco, que era da Cruz Vermelha”, recordou Punyet, e que aconselhou “um tratamento aberto, sem gesso, nem bandagens, nem nada”, baseando-se em uma terapia promovida pelo médico catalão Josep Trueta, que havia tratado feridos de guerra durante o conflito espanhol.

Depois de um ano na cama, ela se recuperou. “Meu avô fez uma tapeçaria para a Cruz Vermelha, em gratidão, porque tinha salvado sua filha, que era apenas uma criança.”
(Com informaçoes da AFP)