‘Les Echos’: Temer levou catálogo com mais de 50 empresas brasileiras para “vender” à China

“Com todos os investimentos que você vai fazer no Brasil, sua empresa deve ser chamada de” Four Gorges”, brincou o presidente brasileiro, Michel Temer, depois de se encontrar com o chefe da China Three Gorges, Lu Chun, quando chegou a Pequim na quinta-feira antes de se juntar aos seus homólogos do BRICS em Xiamen.

O jornal Les Echos publicou uma matéria na terça-feira (5) sobre o investimento chinês no Brasil.

Segundo a reportagem o grupo CTG já investiu cerca de 23 bilhões de reais (cerca de 6 bilhões de euros) no Brasil em menos de cinco anos. Ele se tornou o segundo maior produtor de energia elétrica, e não pretende parar tão cedo.

A CTG não é o único grupo chinês a investir no setor elétrico brasileiro, já que a State Grid também garantiu a maior parte da distribuição de eletricidade e linhas de energia elétrica, entre as novas barragens na Amazônia e o grande mercado consumidor localizado no sul do país, afirma Les Echos.

Michel Temer também aproveitou a oportunidade para esclarecer o esboço de seu programa de privatização, acrescenta o diário francês. Debaixo do braço, um espesso catálogo de cerca de cinquenta empresas para “vender”, incluindo a brasileira Eletrobras, e mais de uma dúzia de usinas hidrelétricas.

Brasil e China lançaram recentemente um fundo de US $ 20 bilhões, 75% financiado pela China, para modernizar a infraestrutura no país latino-americano
Brasil e China lançaram recentemente um fundo de US $ 20 bilhões, 75% financiado pela China, para modernizar a infraestrutura no país latino-americano

“Os chineses certamente desempenharão um papel de liderança na privatização da Eletrobras”, disse Pedro Seraphim, especialista em energia do escritório de advocacia Tozzini Freire. “É exatamente o tipo de ativos que os chineses adoram. Eles não gostam de pequenas transações! “Adiciona Fernando Camargo, gerente de infraestrutura da LCA Consulting.

Brasil e China lançaram recentemente um fundo de US $ 20 bilhões, 75% financiado pela China, para modernizar a infraestrutura no país latino-americano, aponta Les Echos.

Os chineses estão presentes em vários setores. No mês passado, o grupo HNA, que é um acionista da companhia aérea Azul e um cliente do fabricante brasileiro de aeronaves Embraer, entrou na capital do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, informa Les Echos.

Na indústria agroalimentar, o Grupo Shanghai Pengxin já adquiriu duas tradicionais empresas brasileiras especializadas em cereais. E isso não é tudo: Didi Chuxing investiu US $ 100 milhões na 99 Taxi, enquanto as negociações estão em andamento para a aquisição de vários terminais portuários. O apetite é grande, finaliza Les Echos.

Jornal do Brasil