Lucas de Brito não honra palavra e agora diz que não vai assinar CPI da Lagoa

Vereador Lucas de Brito assinou pedido de CPI da Lagoa quando integrava a oposição (Foto: Walla Santos)

O vereador Lucas de Brito, a preço de hoje, não vai honrar a palavra dada quando deixou a bancada de oposição e, na virada do ano, ingressou na bancada do prefeito Luciano Cartaxo: não vai assinar o pedido de instalação da CPI da Lagoa. Isso ele disse nesta quarta-feira (07). Mas considerando suas últimas mudanças de postura, ele pode mudar de ideia novamente. Direi o motivo.

Quando o parlamentar fazia parte da oposição, posição que ocupou até a eleição da mesa diretora da Câmara em janeiro deste ano, Lucas assinou o pedido de CPI da Lagoa. Agora na base do prefeito, apesar de ter declarado que assinaria novo pedido de CPI caso houvesse fato novo, mesmo reconhecendo, nesta quarta-feira (07), que a Operação Irerês é fato novo, ele não vai assinar CPI, para não respingar nas eleições de 2018, em que Luciano Cartaxo é propenso candidato ao Governo do Estado. A ideia é evitar a todo custo o desgaste do pré-candidato em pleno ano pré-eleitoral.

Quanto à palavra empenhada por Lucas de que manteria seu posicionamento pela CPI, ele já tem argumentação do contrário. Disse que “aquela leitura feita no início do ano era uma leitura de quem tinha uma impressão de que não havia investigação efetiva em curso”. Mas que agora todos estão vendo que a Polícia Federal está investigando, por isso não é preciso a Câmara investigar.

Os vereadores da bancada do prefeito comeram o pão que o diabo amassou quando a Controladoria Geral da União (CGU) divulgou o relatório que apontava indícios em torno de R$ 10 milhões de superfaturamento nas obras da Lagoa. Agora, laudos periciais produzidos pela Polícia Federal confirmam um dano total ao erário no valor de R$ 6,4 milhões na execução da obra. Mas para Lucas, para o resto da bancada do prefeito e para o secretário Zennedy Bezerra, que orientou os vereadores em reunião para gerenciar a crise, isso também não é fato novo.

Esse posicionamento de Lucas contra a CPI, no entanto, foi externado nesta manhã de quarta-feira (07), antes dos vereadores de oposição revelarem que o secretário de Infraestrutura Cássio Andrade tem alguns parentes em cargos estratégicos, como a esposa, em uma gerência relacionada a obras, da Caixa Econômica Federal, a cunhada, na Ouvidoria da Seinfra, e um concunhado na empresa executora da obra, o que pode comprometer a credibilidade da prefeitura e a lisura das medições que foram realizadas, para justificar a efetuação de pagamentos de recursos federais.

Sinceramente, o povo não viu os caminhões-caçamba darem 11.111 viagens da Lagoa até o aterro sanitário, para despejar 200 mil toneladas de resíduos.

Os vereadores não vão conseguir empurrar o lixo para debaixo do tapete por muito tempo.

Por enquanto, temos que aguardar os próximos capítulos da novela: Lucas assina ou não assina a CPI?

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