João Pessoa 19/03/2019

Início » Cidades » Mãe de menina morta em Triagem critica Witzel: ‘Governador deu ordens para atirar’

Mãe de menina morta em Triagem critica Witzel: ‘Governador deu ordens para atirar’

Katia Cilene, mãe de Jenifer, que morreu após ser baleada com um tiro no peito em Triagem. Ela e moradores acusam a PM de atirar – Rafael Nascimento / Agência O Dia

Rio – A mãe da pequena Jenifer Silene Gomes, de 11 anos, morta por um tiro no peito em Triagem, na Zona Norte, nesta quinta-feira, desabafou após liberar o corpo da filha no Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio. Ela questionou a política de abate do governador Wilson Witzel, que faz a primeira criança vítima de bala perdida no Rio. O velório acontece na capela Santa Isabel, no Cemitério de Inhaúma, onde ocorrerá o sepultamento.

“O governador não pode deixar que a polícia entre e tire a vida de todo mundo. Ele não pode deixar isso acontecer, está errado. Bandido é bandido, polícia é polícia, e morador é morador. Ali somos pessoas de bem e dignas. Se moramos ali é porque necessitamos e precisamos. Se não precisássemos estaríamos morando na Barra ou em Copacabana. O governador deu ordens para atirar e olha no que deu! Eles tiraram uma vida. É a primeira criança a ser morta em 2019. E aí, como fica a vida da minha filha? Quem vai trazer de volta?”, desabafou Katia Silene Gomes, 44 anos.

Katia conta que a menina tinha ido para a escola, mas acabou não conseguindo embarcar no ônibus com o irmão, pois o motorista fechou a porta antes dela entrar. Com isso, ela acabou voltando para casa, sendo vitimada na porta do comércio da mãe.

“Ela tentou ir para a escola, mas voltou. Levei ela ao mercado para comprar produtos para o meu bar. Ela foi para casa e depois foi lá para o bar. Na hora do tiro, eu estava na cozinha do bar. Quando eu escutei os tiros, corri e gritei para ela entrar para dentro de casa”, conta, dizendo que a filha pediu ajuda.

“O tiro acertou no peito da minha filha. Ela caiu e perguntou: ‘Mãe, eu ganhei um tiro’. E eu falei: ‘Que isso Jenifer?’. E nisso ela foi caindo. Eu pedi ajuda aos moradores e os policiais não deixaram nenhum morador ajudar. Eles estavam dando tiro. Eles não deixaram socorrer minha filha”, narra. Ela disse que somente depois a PM socorreu a menina.

“A comunidade onde eu moro não é tão perigosa. A minha filha estava sentada na porta do meu bar, junto com outras crianças. De repente, saiu um monte de polícia. Ela sentada, eles começaram a atirar e não respeitaram as crianças que estavam ali. Sempre foi assim. Eles entram atirando”, defendeu.

Sonhos interrompidos

Katia disse que o sonho da filha era ser bailarina e que em breve ela faria a matrícula da menina em uma aula de ballet. Infelizmente o disparo interrompeu o projeto da criança de apenas 11 anos.

“Minha filha tinha sonhos, era estudante e aconteceu isso com ela. Era uma criança excelente, todo mundo da comunidade e da escola gostavam dela, tanto que agora todos estão perguntando a hora do enterro, pois os colegas da escola querem ir. Ela gostava de fazer educação física, sempre me pediu para colocá-la no ballet, pois ela queria ser bailarina. Ela só tinha 11 anos”, insiste a mãe da menina.

O Dia