Mais de 30% de casas em favelas têm renda de até meio salário

Pouco mais de 30% dos domicílios situados em favelas tinham, em 2010, renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto em outras regiões do país, a proporção de casas cuja renda domiciliar per capita era de 13,8%, nos lares localizados nos chamados aglomerados subnormais, esse índice alcançava 31,6%.

O IBGE classifica como aglomerados subnormais as regiões com, no mínimo, 51 unidades habitacionais carentes, que ocupam terreno público ou particular (invadido ou não) e que se encontram de forma desordenada e densa. Regiões com menos de 51 barracos foram consideradas pelo estudo como áreas urbanas regulares.

No Nordeste, 40,8% das residências em áreas favelizadas tinham renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo. Fora desses locais, a proporção de domicílios com renda semelhante era de 24,1%.

No Sudeste, famílias com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo representavam 25,6% do total dos que viviam em aglomerados subnormais. Em outras áreas, a proporção era de 10,7%.

Por outro lado, apenas 0,9% dos domicílios em favelas apresentavam renda familiar per capita superior a 5 salários mínimos. Em outras áreas, essas residências representavam 13,4% do universo total.

No Sudeste, 0,6% das famílias que viviam em áreas mais degradadas têm renda superior a 5 salários mínimos. Já nas demais áreas da região, essa proporção chegava a 14%.

Pesquisa registra 3,2 milhões de casas em favelas, em 323 cidades

O IBGE informou ainda que havia, em 2010, 3,2 milhões de residências em 323 cidades do país situadas em áreas de favelas. Deste total, 49,8% estavam situados na região Sudeste; 28,7% estão no Nordeste, 14,4% no Norte, 5,3% no Sul, e 1,8% no Centro-Oeste.

O levantamento mostra que 52,2% dos domicílios situados em aglomerados subnormais estavam em áreas predominantemente planas. Outros 26,8% estavam em áreas com aclive ou declive moderado, e 20,7% se encontravam em locais com aclive ou declive acentuado.

Se analisado o tipo da via em que essas residências estão localizadas, 51,8% ficavam em uma rua; 39,7% estavam em becos ou travessas; 4,2% se situavam numa escadaria, e 2% num caminho ou trilha. Já 0,9% viviam em uma via sem circulação interna.

A pesquisa observou ainda que 12% das casas em áreas de favelas estavam situadas às margens de córregos, rios e lagoas. No Acre, essa proporção é a maior do país, chegando a 90%. Na região metropolitana de Macapá (AP), 83% desses domicílios estavam sobre rios, córregos, lagos ou mar. São as famosas palafitas, comum naquela região.