Médico que morreu trabalhava de graça para ajudar Santa Cruz de Santa Rita

dr dorivaldo ooooooO telefone tocava mais uma vez. Era o diretor de futebol do Santa Cruz de Santa Rita, César Wellington, que ligava pedindo ajuda ao médico Dorivaldo Pereira, que já dormia em sua casa. A presença dele era solicitada para que a partida do time da cidade contra o Auto Esporte pudesse ser realizada. O médico inicialmente escalado faltara e era necessário um substituto para que a bola pudesse rolar.

Sempre solícito, o “doutor”, como era conhecido pelos santarritenses, descumpriu o pedido da esposa e foi ao Estádio da Graça, em João Pessoa. Ele nunca desligava o telefone. E atendeu a mais este pedido. Morreria pouco mais de duas horas depois, quando passou mal no local do jogo e não resistiu à uma embolia pulmonar que evoluiu para uma parada cardíaca.

Morador há 45 anos do município de Santa Rita (que faz parte da Grande João Pessoa), o médico era conhecido pelo seu trabalho voluntário e pela forma como atendia a população da cidade. Prestava há pelo menos seis anos serviços gratuitos e voluntários ao Santa Cruz, pelo simples prazer de ajudar a agremiação que representa Santa Rita no Campeonato Paraibano de Futebol; e costumava atender também toda a população local.

Natural de Itambé, Pernambuco, ele se mudou para João Pessoa para estudar medicina. Era o seu sonho de criança. Isto porque, ao nascer, perdeu a mãe no parto. E depois que cresceu, decidiu que queria ser obstetra para evitar que outras mulheres sofressem do mesmo problema que afetou a sua vida.

– A minha avó morreu no parto dele. Então meu pai decidiu que viveria para evitar este tipo de morte. Ele não queria que nenhuma mulher tivesse o mesmo destino de sua mãe e morresse no parto – destaca Dorivaldo Júnior, se referindo à história que muitas vezes foi contada pelo seu pai.

Depois, o filho contra outra história curiosa sobre o pai. No ano passado, ambos se debruçaram num levantamento e descobriram que o pai foi responsável por pelo menos 10 mil partos feitos na região em quatro décadas e meia de atuação profissional, cumprindo assim o propósito que tinha para sua vida.

– É curioso, mas meu pai foi homenageado por muitas das pacientes que ele atendeu. Muitas delas deram aos seus filhos o seu nome. A cidade tem hoje muitos outros Dorivaldos – declarou o filho, emocionado, durante o velório do pai.

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