Menina de 12 anos com epilepsia espera consulta há um ano e meio

Garota espera consulta a dose anosHá um ano e meio, João Carlos Teixeira, tenta marcar uma consulta para a enteada, Lorena Moreira Costa,12, que tem epilepsia.

Lorena Moreira Costa tem 12 anos e mora com a mãe e o padrasto no Bairro Santa Teresa, em Vitória. Ela descobriu há três anos que tem epilepsia e passou a tomar medicação. No entanto, desde novembro de 2012 ela não consegue consulta com um médico especialista na rede pública de saúde. “O pedido foi feito há um ano e meio e até hoje ninguém conseguiu marcar a consulta. É um sofrimento pra gente. Não sabe se a doença está evoluindo, se tem que tomar mais remédio, se tem que parar, não sabemos nada”, conta João Carlos Teixeira, padrasto de Lorena.

A última consulta de Lorena aconteceu em 2012. Ela se consultou com um neuropediatra no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, e saiu de lá com um documento que pedia a marcação de uma consulta de retorno. Segundo João Carlos, o pedido foi entregue ao setor de especialidades da Unidade de Saúde do Morro do Quadro – que atente a região do bairro Santa Teresa – em novembro do mesmo ano, mas até hoje a consulta não foi marcada.O padrasto da menina afirma ter ido ao posto de saúde diversas vezes para saber o que poderia ter acontecido, sem resposta. Ele afirma que chegou a ligar para a ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde em fevereiro deste ano para tentar obter um esclarecimento, mas recebeu uma resposta 15 dias depois, que o surpreendeu. “O atendente na ouvidoria me aconselhou a procurar a Defensoria Pública pra entrar com um pedido na Justiça pra conseguir a consulta. É um absurdo. A própria prefeitura orienta que eu entre na Justiça contra ela”.

Lorena comparece todo mês à unidade de saúde do bairro para se consultar com a médica generalista e pegar a receita para o remédio que toma todos os dias. Segundo João Carlos, até os próprios funcionários da unidade de saúde estão escandalizados com a demora. “A médica (da unidade de saúde do bairro) diz que só o especialista pode regular a dosagem do remédio e que talvez ela nem precise mais tomar, mas a gente não sabe porque não consegue falar com o neuropediatra”, conta o padrasto.

“Estado e município são co-responsáveis”, diz secretário de saúde
Na hora de procurar os responsáveis pelo grande atraso na marcação da consulta, Lorena acaba em um jogo de passa e repassa entre Estado e prefeitura.Sobre a situação da menina, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou que a neuropediatria é uma especialidade de média complexidade e que, portanto, cabe ao Estado ofertar vagas para consultas, o que não vinha acontecendo.

Em nota, a Semus informou também que “efetivou, no início deste mês, a contratação de um novo médico neuropediatra para o Centro Municipal de Especialidades, o que faz com que o município não dependa somente da oferta de vagas do Governo do Estado o que amplia o atendimento”Contactado, o Secretário Estadual de Saúde, Tadeu Marino, informou que a escassez de vagas para consultas se deve ao fato de  a neuropediatria ser uma especialidade rara no mercado. “Há poucos médicos atendendo nessa área porque não encontramos profissionais qualificados para contratar e, com poucos neuropediatras disponíveis, a fila de espera é imensa”.

No entanto, Tadeu Marino explicou que os municípios também têm responsabilidade em contratar esse tipo de profissional para poder oferecer um serviço de saúde de qualidade para os contribuintes. “O Estado está oferecendo essas vagas porque os municípios não assumiram a gestão plena da saúde. Nada proíbe o município de atender aos casos de média e grande complexidade. O SUS tem que ser um sistema solidário”, explica o secretário.

Após o contato da reportagem, Lorena conseguiu uma consulta com um neuropediatra para o dia 10 de abril.
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