Merkel pede que Grécia aceite oferta ‘excepcionalmente generosa’ de credores.

Merkel gréciaO premier Alexis Tsipras chega para a cúpula da UE nesta sexta-feira

BERLIM, FRANKFURT, LONDRES e BRUXELAS – A chanceler alemã, Angela Merkel, instou o premier grego, Alexis Tsipras, nesta sexta-feira, a aceitar a oferta “excepcionalmente generosa” dos credores, dizendo que agora está nas mãos do governo da Grécia dar um passo na direção de seus parceiros na zona do euro.

— Demos um passo em direção à Grécia — disse Merkel em uma entrevista coletiva em Bruxelas. — Agora, cabe ao lado grego a dar um passo similar.

Os líderes da Alemanha e da França ofereceram nesta sexta-feira a liberação de € 15,5 bilhões em ajuda congelada, em uma tentativa de última hora para convencer Tsipras a aceitar a reforma da previdência em troca de encher o cofre de Atenas pelos próximos cinco meses, até novembro. Tsipras, por sua vez, acusou os credores de chantagem.

— Os princípios da criação da União Europeia foram democracia, solidariedade, igualdade e respeito mútuo. Não eram baseados em chantagem e ultimatos. Ninguém tem o direito de botar esses princípios em perigo.

50% DE CHANCE DE UM ACORDO

Merkel e o presidente François Hollande, cujos países são os principais credores de Atenas, mantiveram um encontro privado de 45 minutos com Tsipras antes da sessão final de uma cúpula da União Europeia, em que analisaram os detalhes do eventual financiamento imediato à Grécia caso se assine o acordo.

Já o ministro alemão das Finanças se mostrou mais prudente em relação às intensas negociações entre Atenas e credores em Bruxelas

— A probabilidade de um acordo é de aproximadamente 50% — afirmou o porta-voz do ministro Wolfgang Schäuble.

Atenas está negociando com seus credores — União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional — uma série de reformas e cortes orçamentários em troca de um empréstimo de € 7,2 bilhões.

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, porém, afirmou que seu país fez tudo que podia para acomodar as “estranhas exigências” feitas por seus credores, e está determinado a continuar fazendo parte da zona do euro. No entanto, afirmou ele em entrevista à rádio nacional irlandesa RTE, a Grécia não vai aceitar qualquer solução para sua crise de dívida que considere inviável.

O Comissário da Alemanha na UE, Guenther Oettinger, por sua vez, afirmou que a saída da Grécia da zona do euro será inevitável se Atenas e seus credores não chegarem a uma solução dentro dos próximos cinco dias.

— Faremos de tudo até dia 30 para que os gregos mostrem que estão preparados para reformar — disse Oettinger à rádio Deutschlandfunk. — Uma saída da Grécia não é nosso objetivo mas seria inevitável se não houver solução nos próximos cinco dias.

A Grécia não conseguiu mais uma vez chegar a um acordo com seus credores internacionais na quinta-feira, marcando para sábado um esforço de última hora para evitar o calote na próxima semana. Oettinger afirmou que houve progresso notável nas conversas entre Atenas e seus credores, mas acrescentou que ainda existem diferenças de opiniões que precisam ser resolvidas.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, declarou nesta sexta-feira que um acordo entre a Grécia e seus credores “precisa ocorrer neste sábado”.

— Amanhã, tem que ocorrer, pela simples razão de que precisa ser aprovado por via parlamentar, primeiro na Grécia e depois em vários Estados-membros — declarou Dijsselbloem em Haia.

DEPÓSITOS CAEM AO MENOR NÍVEL EM 11 ANOS

Os depósitos em bancos gregos caíram ao menor nível em quase 11 anos em maio, recuando quase € 3,7 bilhões para € 135,7 bilhões, mostraram nesta sexta-feira dados do Banco Central Europeu (BCE). Mas o conselho da autoridade monetária decidiu deixar inalterado o limite da assistência de liquidez emergencial aos bancos gregos, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto. Este é o terceiro dia seguido em que o limite é mantido em cerca de € 89 bilhões.

O Globo