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Mesquita de Quebec foi alvo de “ataque terrorista”, diz Trudeau

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, classificou de “ataque terrorista” a ação que deixou seis mortos em mesquita na cidade de Quebec

A polícia canadense deteve dois homens suspeitos de abrir fogo contra uma mesquita na noite de domigo (30) na cidade de Quebec, capital da província de mesmo nome. A ação deixou seis mortos, oito feridos e aconteceu pouco depois de o primeiro-ministro Justin Trudeau oferecer residência temporária às pessoas que ficarem bloqueadas devido à recente proibição migratória do presidente americano, Donald Trump. Trudeau classificou o incidente de “ataque terrorista”.

A porta-voz da polícia local, Christine Coulombe, afirmou em uma entrevista coletiva que as vítimas fatais têm entre 35 e 70 anos. As autoridades não descartam a possibilidade de haver um terceiro suspeito, que teria conseguido fugir do local.

“Condenamos este ataque terrorista contra os muçulmanos em um centro de culto e refúgio”, afirmou Trudeau em um comunicado. “Parte o coração ver esta violência sem sentido”, afirmou o premiê, antes de acrescentar que a “diversidade é nossa fortaleza e a tolerância religiosa é um valor que, como canadenses, valorizamos”.

“Os muçulmanos canadenses são parte importante de nosso tecido nacional. Esses atos sem sentido não têm espaço em nossas comunidades, cidade e país”, completou. O motivo do ataque ainda não foi determinado.

A polícia iniciou uma vasta operação após o tiroteio, que aconteceu durante a oração noturna. De acordo com testemunhas, dois homens mascarados entraram na mesquita por volta das 19h15 de domingo (22h15 de Brasília).

“Violência bárbara”

O primeiro-ministro do Quebec, Philippe Couillard, escreveu no Twitter que o governo está “mobilizado para garantir a segurança da população”. “O Quebec rejeita categoricamente essa violência bárbara”, tuitou. “Solidariedade com a população de fé muçulmana de Quebec.”

A mesquita de Quebec, menor do que a de Toronto e de Montreal, já havia sido alvo de um ataque de ódio: uma cabeça de porco foi deixada diante da porta do templo durante o Ramadã, o mês sagrado de jejum dos muçulmanos, em junho do ano passado. Outras mesquitas do Canadá foram alvos de frases racistas nos últimos meses.

Solidariedade com os muçulmanos

O ataque acontece no momento em que o Canadá promete abrir as portas aos muçulmanos e refugiados, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um polêmico decreto que suspende a entrada dos refugiados e cidadãos de sete países muçulmanos (Irã, Iraque, Somália, Sudão, Líbia, Iêmen e Afeganistão), o que provocou caos em aeroportos e indignação no mundo.

O ministro da Imigração canadense, Ahmed Hussen, informou que o país oferecerá temporariamente vistos de residência a várias pessoas retidas no Canadá como resultado do decreto de Trump. Hussen, de origem somáli, não condenou a medida dos Estados Unidos, mas enfatizou que o Canadá pretende manter uma política de imigração baseada na “compaixão”, ao mesmo tempo que protege seus cidadãos. “Damos as boas-vindas aos que fogem da perseguição, do terror e da guerra”, disse, repetindo a mensagem de sábado do primeiro-ministro Trudeau.

O presidente francês, François Hollande, condenou com “firmeza” o que chamou de “odioso atentado” na mesquita de Quebec.

De acordo com o último censo do Canadá, de 2011, uma a cada cinco pessoas no país nasceu no exterior.
O país recebeu 39.670 refugiados sírios entre novembro de 2015 e o início de 2017, segundo o governo.

Grupos nacionalistas criticam violência

Grupos nacionalistas canadenses, que rejeitam o rótulo de extrema-direita, divulgaram mensagens para se dissociar do ataque. “A violência não é a solução”, disse na noite de domingo para segunda-feira o Quebecers Federation (FQS). Cartazes desse movimento, que se autoproclama “nacionalista”, mas não “extremista”, defendem “a suspensão completa da imigração, contra a islamização”.

Outro grupo, o Atalanta Quebec, que defende o “renascimento da identidade no Quebec”, afirmou compartilhar a mesma posição do FQS. De acordo com as duas organizações, “só pessoas profundamente perturbadas” podem cometer ataques dessa espécie.

Já a formação La Meute, que conta com cerca de 3.000 membros, também condenou o atentado, sublinhando que “o Quebec é uma sociedade não violenta”. Seus militantes afirmam defender os valores e as fundações da nação “para que o futuro dos nossos filhos não caia nas mãos do Islã radical pró-Sharia”, em referência à lei islâmica.

RFI