Milhares manifestam em Madri contra políticas de austeridade

pepeAs ruas de Madri foram tomadas por milhares de pessoas nesse sábado, 23 de novembro. A passeata, organizada por sindicatos e ONGs, é um protesto contra as medidas de austeridade impostas pelo governo para tentar tirar o país da crise econômica. Os espanhóis também contestam um polêmico projeto de lei, estudado nesse momento pela equipe do primeiro-ministro Mariano Rajoy, que visa censurar as manifestações populares.

Dois anos após a chegada do governo de direita do primeiro-ministro Mariano Rajoy ao poder, os espanhóis decidiram sair novamente às ruas nesse sábado. Convocados pelos sindicatos e organizações não-governamentais representantes de várias categorias da sociedade (funcionários públicos, ecologistas, professores, médicos), milhares de pessoas manifestaram em Madri em protesto contra a crise social que toma conta da Espanha.

Apesar de uma recente retomada econômica do país, os espanhóis continuam insatisfeitos com as políticas de austeridade impostas pelo governo de Rajoy e pela instabilidade econômica e social que ainda paira sobre a Espanha. Um dos termômetros desse contexto são altos índices de desempregos, que atingem cerca de 26% da população ativa.

O sistema bancário, visto como um dos causadores da crise, é um dos principais alvos dos manifestantes. Cartazes pedindo que os bancos sejam “julgados” podiam ser vistas durante o protestos. Faixas reivindicando melhoras nos serviços públicos e nas pensões – fortemente atingidos pelas medidas de rigor do governo – também faziam parte do cortejo.

Alguns participantes também protestaram contra um projeto de lei do governo visando restringir os protestos de rua. O texto, considerado pela esquerda com uma forma de “repressão cidadã” prevê multas de até 600 mil euros (quase 2 milhões de reais) em caso de manifestação não-autorizada, como há dois anos, com o movimento dos Indignados que tomou o centro de Madri. A organização ecologista Greenpeace, que participou da passeata desse sábado, divulgou um comunicado no qual contesta a projeto de lei, apontada como “um atentado ao direito de manifestar publicamente”.

 

RFI