Miller auxiliou J&F em acordo de leniência quando ainda era procurador, diz Janot

Miller auxiliou J&F em acordo de leniência quando ainda era procurador, diz Janot

O procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou, no pedido de prisão do ex-procurador Marcelo Miller encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ele chegou a auxiliar o grupo J&F, controlador da JBS, enquanto ainda atuava no Ministério Público Federal (MPF).

Teriam sido identificadas trocas de emails entre Miller e uma advogada do escritório Trench, Rossi, Watanabe, que contratou Miller, em março, para trabalhar no acordo de leniência da J&F.

De acordo com Janot, nos e-mails teriam sido trocadas mensagens sobre “marcações de voos para reuniões, referências a orientações à empresa J&F e inícios de tratativas em benefícios à mencionada empresa”.

Apesar de Janot ter pedido a prisão de Miller, o ministro do STF Luiz Edson Fachin, negou, afirmando que não haveria indícios suficientes de que ele foi “cooptado” pela organização criminosa de Joesley Batista e Ricardo Saud

Mandados de busca

Na manhã desta segunda-feira (11), agentes da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) cumprem cinco mandados de busca e apreensão nas casas de Marcello Miller, no Rio de Janeiro, dos empresários Joesley Batista e Ricardo Saud, em São Paulo, de Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, também em São Paulo.

Os agentes ficaram 1h50 na casa de Miller, que fica na Lagoa Rodrigo de Freitas, e saíram de lá levando uma bolsa e uma mochila.

A operação foi batizada de “Bocca”, numa referência a “Bocca della Verità”, cuja característica é seu papel como detector de mentiras. “Desde a Idade Média, acredita-se que se alguém contar uma mentira com a mão na boca da escultura, ela se fecharia ‘mordendo’ a mão do mentiroso”, diz a nota da PF.

Joesley Batista e Ricardo Saud se entregaram à Polícia Federal no início da tarde de domingo (10), em São Paulo. O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin autorizara, na noite de sábado (9), a prisão temporária dos dois delatores da JBS. A determinação ocorreu após o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pediu, ainda, a prisão do ex-procurador Marcello Miller. Só que, nesse caso, não houve a decisão favorável.

O ministro determinou também a suspensão do acordo de delação premiada assinados pelos executivos da JBS até que todo o caso seja devidamente apurado.

Em nota, a defesa de Marcello Miller disse que “repudia veementemente o conteúdo fantasioso e ofensivo das menções ao seu nome nas gravações divulgadas na imprensa e reitera que jamais fez jogo duplo ou agiu contra a lei”.

O advogado de Joesley e Saud, Pierpaolo Bottini, afirmou que encarou com naturalidade os mandados de busca após a prisão dos executivos. Sobre as prisões, a defesa de Joesley e Saud disse considerar desnecessária, alegando que eles “cumpriram rigorosamente tudo o que lhes era imposto” desde a assinatura da delação.