Ministro diz que R$ 500 milhões da Saúde puderam ser moeda de troca

O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), afirmou nesta 5ª (4.jan.2018), que sua pasta separou R$ 500 milhões em 2017 em emendas de congressistas ao Orçamento cuja liberação não era obrigatória. Questionado se esse tipo de emenda pode ser usada como “moeda de troca” com o Congresso, o ministro afirmou que sim. “Podem, são liberalidades do governo. Isso é inerente a quem governa.

O ministro já anunciou que deixará o governo até abril para concorrer à eleição como deputado. Disse que seu substituto ainda não foi definido, mas que o PP indicará 1 novo nome.

Barros trabalhou com afinco para que a Câmara barrasse o prosseguimento das denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer. O Planalto saiu vencedor. Ele fará o mesmo agora na votação da reforma da Previdência.

O ministro defendeu que os partidos do chamado Centrão precisam ter 1 único candidato nas eleições de 2018. Ele afirma que Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Rodrigo Maia disputam o apoio.

Indicado pelo seu partido, o PP, ao Ministério da Saúde, Barros está em seu 5º mandato como deputado federal. É tesoureiro nacional da sigla, comandada pelo senador Ciro Nogueira (PI). A legenda deve mudar seu nome para Progressistas –seguindo a tendência dos partidos de retirar o “P” de suas siglas.

Leia a entrevista:

Qual será o papel do PP nas eleições de 2018?

O PP deve manter 1 alinhamento com o Centrão e decidir no momento adequado a melhor opção. Qualquer 1 dos candidatos que estão citados, seja o [Rodrigo]Maia, o [Geraldo] Alckmin ou o [Henrique] Meirelles, com o apoio do Centrão, a viabilidade aumenta muito.

O Centrão representa uma composição competitiva. Representa muitas lideranças que estarão em campanha, muitas candidaturas majoritárias nos Estados. Se fizermos 1 apoio em bloco, esse candidato cresce.

A base governista pode ter mais de 1 candidato?

Não sei se é inteligente.

Em 2018, as promessas de pagamentos [empenho] de emendas dos congressistas serão concentradas no 1º semestre, antes das eleições?

A tendência é que a execução orçamentária seja acelerada até o dia 7 de julho, por causa da lei eleitoral. O governo deve trabalhar com a perspectiva de empenhar até o prazo.

As emendas dos congressistas no Orçamento podem servir como moeda de troca?

Emenda parlamentar é impositiva e independe de ser situação [governista] ou oposição.

Mas há emendas que não são impositivas. Essas podem servir como moeda de troca?

Podem. Nós empenhamos aqui R$ 500 milhões em 2017. Foi uma decisão do presidente autorizar. Isso é inerente a quem governa.

O governo conseguirá aprovar a reforma da Previdência?

O presidente está determinado. O ambiente que os deputados estão encontrando em suas bases é muito favorável. Não estão sendo abordados por ninguém para não votar a reforma. Pelo contrário, prefeitos pedem para votar, empresários pedem para votar e até gente humilde pede para votar. O motivo é o convencimento dos neutros e desmobilização dos contrários.

O sr. é a favor de que o governo faça novas concessões no texto da reforma?

A reforma provoca uma economia de R$ 600 bilhões no médio prazo. É uma conta que tem que ser feita. Se o governo tiver que fazer concessões de R$ 50 bilhões para economizar R$ 600 bilhões deve fazer. A reforma é 1 combate aos privilégios que pode ser mais amplo ou não. De qualquer forma, qualquer reforma é 1 combate aos privilégios. A reforma possível é sempre 1 avanço.

Poder360