Ministro vê congresso perder tempo com denúncia contra Temer

(Brasília – DF, 10/05/2017) Cerimônia de Assinatura do Novo Decreto de Regularização Portuária do Brasil.
Foto: Marcos Corrêa/PR

Um dos oito ministros exonerados pelo Palácio do Planalto nessa sexta-feira (20), o deputado federal Maurício Quintella (PR-AL) conclui que o país está sendo prejudicado pela “perda de tempo” do Congresso Nacional com a análise de mais um pedido de investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), denunciado pela segunda vez pela Procuradoria Geral da República (PGR), agora por crimes de obstrução de Justiça e de organização criminosa.

Afastado do comando do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Quintella discorda que os prejuízos para o país são ampliados por causa desta nova etapa de negociações de apoios ao presidente, com parlamentares sedentos pela liberação de recursos públicos para suas bases eleitorais, visando 2018.

“O país acaba sendo prejudicado porque o Congresso perde um tempo enorme debatendo e votando uma denúncia inepta, quando poderia estar avançando em matérias de interesse da sociedade”, respondeu ao Diário do Poder o ministro que deixou o cargo para votar favorável a Temer.

Maurício Quintella minimiza o poder de influência dos ministros exonerados sobre o convencimento dos parlamentares a não dar seguimento ao processamento de Temer. E classifica a denúncia do ex-chefe da PGR, Rodrigo Janot, como “absolutamente inepta” e com motivações políticas.

“Deputado é maior de idade e livre pra votar de acordo com seu convencimento. Estou pronto para exercer o meu. A denúncia foi urdida por motivações políticas do ex-procurador-geral da República e é absolutamente inepta, portanto deve ser rejeitada. O país precisa continuar avançando, recuperando sua economia, seus empregos. Ano que vem, teremos eleições livres e democráticas para a escolha de um novo presidente”, concluiu Maurício Quintella.

A PGR denuncia que o grupo do PMDB, ao qual pertencem ainda os também denunciados ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), teria atuado em estatais e em ministérios para obter propina. E, segundo a denúncia, Temer seria o chefe da organização criminosa.

A defesa do presidente nega e diz que a denúncia é “libelo contra a democracia” e não tem “elemento confiável de prova”. E o Supremo Tribunal Federal só poderá apreciar a denúncia contra Temer, se a Câmara dos Deputados autorizar.

Quando comentou a primeira denúncia contra Temer por corrupção passiva, em junho, Quintella disse que ela tinha sido baseada em uma “armadilha arquitetada pelo maior criminoso de colarinho branco que o país já viu”. Foi uma referência ao executivo Joesley Batista, dono do frigorífico JBS.

Diário do Poder