Modelo com coligações mantida para 2018, promove entra e sai de suplentes na assembleia

Na Assembleia Legislativa da Paraíba, por exemplo, a troca de lado é tão comum que muitos deputados não veem as mudanças como um problema. Quem hoje é adversário já foi aliado há não muito tempo. Com isso, sobram declarações contraditórias e são formadas alianças consideradas impensáveis no passado. Desde 2010, ano em que o governador Ricardo Coutinho (PSB) foi eleito, até o momento, muitos aliados de ‘ontem’, na Casa, já estão de lados opostos. A maioria sem dificuldade alguma para voltar a ‘cerrar fileiras, ombro a ombro amanhã’.

O cientista político Fábio Machado associa as mudanças de lado ao interesse particular de cada parlamentar para se reeleger e permanecer no mandato.

Ele explicou que muitas das decisões e articulações são definidas próximo ao período eleitoral. Mas, que muitos acordos são desfeitos quando os compromissos não são cumpridos. “O que prepondera na tomada de posição é exatamente a conjuntura, o momento, os interesses do parlamentar e que venham a lhe favorecer. Não vejo nenhum objetivo superior ao valor estratégico que ele tem de garantir um novo mandato. A maioria. Não há o interesse do povo nesses posicionamentos”, ressaltou o especialista.

Fábio Machado afirmou que existem estudos que demonstram que a dinâmica de cada assembleia legislativa varia conforme o Estado.

Executivo influencia ‘jogo’

Ele considera que as diferenças estão no funcionamento e no ‘ultra centralismo’ do Poder Executivo.

O cientista acrescentou que na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho (PSB) se utilizou de uma estratégia nova na história política paraibana, que ocorre desde o seu primeiro governo, e que tem sido importante para manter aliados. “Ele inovou na estratégia de diálogo direto com os prefeitos dos municípios paraibanos. Independente de serem aliados ou oposição. Ele abriu um canal direto sem ter a intermediação exclusiva dos deputados estaduais. Pois antes, os governadores dependiam muito desse canal. Ricardo Coutinho rompeu isso e trouxe certa mudança para a agenda política dos deputados”, explicou Machado.

No Legislativo Paraibano é comum a dança das cadeiras. A cada ano de legislatura as bancadas articulam para atrair aliados e muitos deputados mudam de lado com a finalidade de facilitar os interesses.

Maioria dos atuais mudou de lado

Desde 2010, quando o governador Ricardo Coutinho foi eleito pela primeira vez, a grande maioria dos parlamentares já mudou de bancada, posição quanto ao governo e até de partido.

Esta semana mais um caso chamou a atenção na Casa. Jutay Meneses (PRB) pediu licença para assumir uma Secretaria da Prefeitura de João Pessoa. O cargo será ocupado nos próximos dias pelo suplente Emano Santos (PTN).

Acontece que na sua passagem anterior pelo cargo de deputado, onde passou um ano, Emano Santos era da base de sustentação do governo de Ricardo Coutinho. Agora retorna à Casa após uma articulação do prefeito Luciano Cartaxo, o que o transforma em oposição.

Outro caso recente é o do suplente Aníbal Marcolino (PSD) que voltou à casa na bancada governista. Na legislatura passada, como titular, fez um trabalho intenso de oposição a Ricardo Coutinho. “Ninguém é dono da verdade. Tanto que o próprio Luciano Cartaxo, que hoje é oposição, estava recentemente aliado a Ricardo e de braços dados na campanha passada. Cássio Cunha Lima que é oposição ferrenha fez parte da chapa com Ricardo. O próprio José Maranhão já foi da chapa de Ricardo, o apoiou na eleição passada, e agora tem outra posição. Mas, já está novamente conversando com o governador para ser o candidato apoiado pelo partido dele”, explicou.

Anísio Maia (PT) foi membro da bancada de oposição durante a legislatura passada. Na atual, está compondo a bancada de situação. Mesmo assim, ele rebateu que a troca tenha ocorrido por interesse pessoal e ressaltou que todas as decisões tomadas por ele acompanham as articulações da sua legenda.

A maioria dos deputados da Assembleia já esteve dos dois lados. O presidente Gervásio Maia (PSB), por exemplo, fez oposição ao governador na legislatura passada. Após o seu antigo partido, o PMDB, se aliar a Ricardo, Gervásio não só aderiu a aliança, mas chegou inclusive a mudar de legenda e se filiar ao PSB, comandado pelo chefe do Executivo. Atualmente, o presidente é um dos parlamentares mais próximos do governador.

O mesmo aconteceu com o líder da bancada governista, Hervázio Bezerra (PSB) – que já foi oposicionista ferrenho e hoje lidera as ações do governo no parlamento. Ricardo Barbosa (PSB), Trócolli Junior (Pros) e Raoni Mendes sõ outros exemplos.

A oposicionista, Eliza Virgínia (PSDB) considerou normal, mas garantiu que não trocaria apoio por benefícios pessoais, como a garantia da reeleição.

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