Morre Luiz Carlos Miele, aos 77 anos

Morre Luiz Carlos Miele, aos 77 anos

mieleLuiz Carlos Miele – João Cotta/Rede Globo/Divulgação

RIO – O apresentador, ator, cantor e diretor Luiz Carlos Miele morreu na manhã desta quarta-feira, aos 77 anos. Segundo o Corpo de Bombeiros, ele estava em seu apartamento em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro, quando sofreu um mal súbito por volta das 8h23m da manhã. Ao chegar ao local, o óbito foi constatado. Marcado para esta quinta-feira, a partir de 7h, na Câmara dos Vereadores (Centro do Rio), o velório será aberto ao público. O corpo de Miele será enterrado no Cemitério do Caju.

Um garoto que seria protagonista do programa “Meu filho, meu orgulho”, na Rádio Excelsior, ficou muito nervoso na hora do teste e Regina sugeriu que o filho assumisse o papel. Era o início de uma carreira feita de “acidentes”, como o próprio Miele costumava dizer. Entre os primeiros trabalhos na T, estavam “Clube do canguru mirim”, na TV Tupi, e “Teledrama três leões”, na TV Paulista.

Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro e trabalhou na TV Continental como diretor de estúdio e assistente de edição. Dividia um apartamento no Catete com outros seis moradores, incluindo o ator Francisco Milani. Nessa época, começou a frequentar Ipanema e fez amigos no meio artístico.

VIDA E OBRA DE MIELE
Luiz Carlos Miele dança com Elis ReginaFoto: Arquivo

Miele e o amigo Ronaldo Bôscoli em 1979Foto: Agência O Globo

Miele apresenta ‘Batalha dos astros’, na TV Globo, em 1983Foto: Arquivo

Ao lado de Myrian Rios, Roberto Carlos e Sergio Mendes, em 1987Foto: Cristina Granato / Agência O Globo

Em gravação com Wilson Simonal e PeléFoto: Agência O Globo

César Thadim, Anita (mulher de Miele), Miele e Lucio Mauro no Leblon em 1997Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Miele, Menescal e elenco do Show à Bossa Nova, em 1997Foto: Cristina Granato / Divulgação

Na minissérie ‘O brado retumbante’, da TV Globo, em que interpretou Nicodemo Cabral, ‘O senador’Foto: Zeca Guimarães / Agência O Globo

No ‘Zorra total’ com Chico Anysio, em 2010Foto: Blenda Gomes / Agência O Globo

Com Rogéria e Chico Caruso em 2012Foto: Divulgação

Luiz Carlos Miele e seu grande parceiro, Roberto MenescalFoto: Letícia Pontual / Agência O Globo

Em ensaio com a bailarina Aline Riscado no Dança dos FamososFoto: Marcio Oliveira / Agência O Globo

Últimas cenas do personagem Jack Parker em ‘Geração Brasil’, sua primeira novelaFoto: Estevam Avellar / Rede Globo/Divulgação

Miele com o disco de histórias ‘Para ouvir no engarrafamento’Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo

Capa do livro ‘Miele, o contador de histórias’Foto: Divulgação
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Conheceu o compositor Ronaldo Bôscoli, que estava no centro do boom da bossa nova, e passou a morar em Copacabana com ele e outros amigos. Bôscoli convidou Miele para produzir shows no Beco das Garrafas, por onde passavam os maiores nomes da cena musical carioca, como Elis Regina e Sérgio Mendes.

A partir da parceria com Bôscoli, Miele se tornou uma das figuras mais reconhecidas do “show business” nacional, produzindo espetáculos de alguns dos principais artistas brasileiros, como Wilson Simonal e Roberto Carlos, e estrangeiros, como Sarah Vaughan, Stevie Wonder e Burt Bacharach. Muitos deles se apresentaram na boate Monsieur Pujol, em Ipanema, mantida por Miele e Boscoli entre 1970 e 1974.

‘Se eu pudesse, dormia de smoking, tomava banho de smoking, e o resto faria também de smoking. Menos nos EUA, porque em todo lugar tem uma placa: ‘No Smoking!’’
– LUIZ CARLOS MIELE
Em entrevista ao GLOBO, em 1975
Miele começou na Rede Globo em abril de 1965, no mês em que a emissora foi fundada. Com Bôscoli, produziu programas como o musical “Alô, Dolly”, a sitcom “Dick & Betty 17”, estrelada pelo cantor Dick Farney e a atriz Betty Faria. A dupla trabalhou também para oturas emissoras, como a TV Record, na qual realizaram o programa “O fino da bossa”, e Excelsior, onde fizeram “Musical em Bossa 9” e “Dois no balanço”, entre outros.

Miele e Bôscoli voltaram à Rede Globo em 1970. Eles produziram programas de Elis Regina e Marília Pêra e assumiram a direção musical do “Fantástico”. Miele atuou também como humorista em programas como “Faça humor, não faça guerra”, “Satiricom” e “Planeta dos homens”. A partir de 1985, Miele trabalhou na TV Manchete e, em 1992, apresentou o programa “Coquetel” no SBT.

Na década passada, Miele retomou os trabalhos na TV, atuando em 2005 no seriado “Mandrake”, inspirado na obra de Rubem Fonseca, no canal por assinatura HBO. Na Globo, participou de séries como “Casos & acasos” (2008), “Tapas e beijos” (2011), “O brado retumbante” (2012), “ A teia” (2014). Também em 2014, fez sua primeira novela, “Geração Brasil”, e participou do quadro “Dança dos famosos”, no “Domingão do Faustão”.

Sempre ativo, Miele estava cheio de planos. Em entrevista ao GLOBO no começo do mês, disse que planejava rodar o país com seu novo show, batizado “Miele — Contador de histórias”, que também dava nome ao seu mais recente livro de memórias. De acordo com Roberto Menescal, um de seus maiores parceiros, os dois chegaram a gravar, há poucos dias, um piloto de um novo programa de TV, em que lembravam causos de suas badaladas vidas.

O Globo