MPPB apura mortes de recém-nascidos em hospital de CG; 44 mortes em 90 dias

hosital campinaApós receber denúncias da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB), por meio da Promotoria da Criança e do Adolescente de Campina Grande, adotou medidas para apurar o “acentuado número” de mortes de recém-nascidos no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea).

De acordo com a Ouvidoria Nacional, foram registrados 44 mortes de recém-nascidos em apenas 90 dias, ou seja de janeiro a março de 2014. Para tentar reverter esse caso, o promotor da Criança e do Adolescente de Campina Grande, Herbert Douglas Targino, requereu do Conselho Regional de Medicina (CRM) um estudo para avaliar a situação do instituto e recomendou à Secretaria da Saúde do município mais empenho, com o objetivo de oferecer nas unidades de saúde o pré-natal para todas as gestantes.

Segundo o promotor, além da denúncia da Ouvidoria de Diretos Humanos, o Conselho Tutelar de Campina Grande também pediu apuração para identificar as causas. “Não se justifica que após um decréscimo entre 2012 e 2013 tenhamos um aumento de 2013 para 2014. O sistema tem que reconhecer que está havendo falha. Se a falha não ocorre no Isea, ela está sendo em outro local e precisa ser resolvida”, afirmou Herbert Douglas explicando também que, conforme o material enviado ao MPPB, em apenas uma semana ocorreram oito mortes na unidade e os números apresentados pela direção da maternidade indicam que neste ano já foram contabilizados onze óbitos a mais que no primeiro trimestre do ano passado, quando foram registradas 33 mortes.

Em reunião na Promotoria da Criança e do Adolescente de Campina Grande, a diretoria confirmou que, em uma semana do mês de março, ocorreram oito mortes no Isea em bebês com má-formação ou prematuros, mas o promotor informou que o MPPB vai investigar as causas e cobrar melhorias no atendimento do Isea. Para ele, é importante melhorar o atendimento na rede básica de saúde, que deve investir na qualidade do pré-natal. “É necessário que as unidades de saúde façam busca ativa nas comunidades, acompanhando as gestantes, o pré-natal e pós-parto de perto, ao invés de ficar esperando que as pessoas busquem atendimento”, finalizou Herbert.

O promotor também recomendou à secretária municipal de Saúde que expeça ofício circular aos Municípios pactuados com Campina Grande, no sentido de efetuarem o encaminhamento de gestantes com prontuários médicos acompanhados de seus respectivos exames de pré-natal.

Assessoria