Mulheres encontram nos filhos forças para superar o câncer - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Mulheres encontram nos filhos forças para superar o câncer

ELIANEA jornalista Hellen Nascimento nunca foi muito atenciosa em relação à própria saúde, até que aos 33 anos descobriu, por acaso, um nódulo na mama. Ela foi ao médico, mas sem medo, já que o seu histórico médico e o da sua família não indicavam que pudesse ser algo grave. Mas era. Antes de qualquer outra coisa, ao receber o diagnóstico de câncer, a principal preocupação de Hellen foi sua família, principalmente seus filhos. “Foi um choque, eu não esperava e a primeira coisa que pensei foram nos meus filhos que na época tinham oito e três anos. Chorei muito”, conta.

Hellen explica que, para ela, duas coisas são particularmente tristes: a morte de uma criança e um dos pais falecer deixando filhos ainda pequenos e temia que seus filhos passassem pela perda da mãe. O que a fez suplantar o medo e encarar a situação de frente foi quando, durante uma conversa, sua mãe perguntou o que ela seria capaz de fazer para acompanhar a vida dos seus filhos. “Eu daria até um braço se fosse preciso”, respondeu. “A partir daí eu não chorei mais e encarei o tratamento sem drama”.

Hellen confessa que sua decisão em abraçar o tratamento rapidamente, a dedicação da sua mãe e do seu marido, somados a sua vontade de acompanhar o crescimento dos filhos ajudaram na sua recuperação. “Eu posso dizer que não tive o drama do câncer, tive medo claro, o tumor era grande e agressivo, mas me dediquei as minhas filhas”. A jornalista conta que não foi fácil, sua filha menor muitas vezes queria ir para o seu colo e não podia e quando ela precisou se afastar por 10 dias devido ao tratamento foi um momento bastante difícil. “Eu penso muito na minha mãe, se fosse com uma das minhas filhas, eu não sei se aguentaria, mas minha mãe cuidou de mim, do meu marido e das minhas filhas”.

A jornalista, que hoje é voluntária, na ala infantil do Hospital Napoleão Laureano, lembra particularmente de um desenho que sua filha fez da família pouco após a cirurgia. “Ela colocou um risquinho no meu peito e disse que aquilo era o ‘dodói’ que Jesus curou”.

Enquanto Hellen diz não ter vivenciado o “drama do câncer”, a professora Eliane Maria Moreira Gonçalves Matias, de 48 anos, mãe de dois filhos, vivenciou o oposto. Seu drama começou em 2009 quando descobriu um câncer de mama. Em 2011, descobriu nódulos no pescoço. Em seguida, exames mostraram a existência de cinco tumores nos pulmões. Em 2013, dores de cabeça muito fortes indicavam a possibilidade de mais um tumor que não chegou a ser confirmada, e, no momento, ela tem um tumor na coluna e começa a radioterapia nesta segunda-feira (12).

 

Eliane Maria Moreira Gonçalves Matias, mãe de dois filhos (Crédito: Monica Melo)

A sua filha mais velha é nutricionista e o mais novo estuda medicina. “Eles cuidam de mim, mandam recomendações aos meus médicos, inclusive um deles foi professor da minha filha”, conta Eliane, cuja principal preocupação é a mãe. “Ela tem 78 anos e é uma mulher muito frágil. Eu precisei tranquilizá-la, ela acredita no que eu digo”. Eliane diz que a preocupação com ela está abalando a saúde da sua mãe, por isso tenta poupá-la o máximo que pode.

Contar com o apoio e carinho dos filhos têm sido fundamental para manter o otimismo da professora. O seu filho chegou a levá-la para cinco médicos diferentes para confirmar o diagnóstico e a sua filha a ajuda a manter uma alimentação adequada. Eliane sabe que ainda tem um caminho a percorrer antes de se recuperar totalmente e sabe que precisa se manter forte, muitas vezes ela é quem precisa dar um suporte emocional à família.

Monica Melo
WSCOM Online