Na crise bancária da Índia, até porco tem lugar na fila

Nas filas do Banco da Índia, no sul de Mumbai, maior e mais importante cidade do país, diversos rostos se tornaram familiares a quem passa por lá. Desde que o primeiro-ministro, Narendra Modi, retirou inesperadamente notas de 500 e 1.000 rupias (25 e 50 reais, respectivamente) de circulação, eliminando 86% do dinheiro da Índia em uma única noite, as filas por dinheiro se tornaram um esporte nacional.

Mas para alguns, como Santosh Garg, que está no banco todos os dias em nome de seus patrões, donos de uma companhia de seguros, ficar na fila se tornou parte do trabalho diário. “Obviamente eu não gosto de vir e ficar na fila por duas horas ao sol”, diz Garg à reportagem do portal The Guardian. “Eu faço isso porque meu chefe me diz para fazer isso. Não é como se eu pudesse dizer não.”

A crise causada pela falta de dinheiro vivo provocou um boom inesperado no negócio de filas de espera. Algumas pessoas enviam seus empregados para manter o seu lugar, enquanto outros contratam trabalhadores pagos por dia para fazer o trabalho. Até um porco de estimação foi visto em uma fila nos braços de seu dono, o ator Ravi Babu, um astro local, que tentava sacar dinheiro em um caixa eletrônico.

Mas o dinheiro para guardar lugar na fila é controverso. “Todos devem fazer seu próprio trabalho. Se você apoia a decisão de Modi, você deve mostrar seu apoio vindo aqui e ficando nas filas com o resto de nós”, disse ao Guardian Prathamesh Shroff, que foi banco sacar 12.000 rúpias.

Pagar alguém para ficar na fila não é um conceito novo na Índia, nem em outras partes do mundo. Em Nova York, por exemplo, um lugar na fila para uma peça de teatro a céu aberto pode custar 125 dólares (cerca de 423,55 reais). Nos principais hospitais de Pequim, os compromissos médicos cobiçados, que podem estar sujeitos a listas de espera de meses, também podem ser comprados. No Brasil, a prática costuma ser vista em filas de shows muito concorridos. A teoria econômica do mercado livre sugere que não há nada de errado em pagar para guardar o lugar de alguém em uma fila se ambas as partes concordarem.

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