João Pessoa 20/05/2019

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Não foi bem assim… Oscar 2019 é dominado por filmes ‘mais ou menos inspirados na realidade’

Dos 8 indicados a melhor filme, só 2 são totalmente ficcionais. Outros têm diferentes níveis de inspiração na realidade, de linha do tempo alterada do Queen a toque de 2019 no século 18.

Se os indicados a melhor filme do Oscar passassem pela editoria Fato ou Fake do G1, 2019 seria o ano do carimbo “Não é bem assim”. Com só duas ficções assumidas, os outros seis tomam diferentes níveis de liberdade na famosa “inspiração em fatos reais”.

As cinebiografias ou filmes sobre fatos históricos têm ocupado mais ou menos metade das listas anteriores. Houve equilíbrio em 20152016 2017. Em 2018, o índice de ficções subiu.

Em 2019, fica difícil fazer a conta. Tirando “Pantera Negra” e “Nasce uma estrela”, há ao menos duas cinebiografias mais tradicionais: do antigo vice-presidente dos EUA Dick Cheney, do vocalista do Queen, Freddie Mercury.

Ambas têm fatos em gerais corretos, mas com tratamento discutível, seja ao forçar o tom negativo (“Vice”), ou ao mudar a ordem dos fatos e, assim, seu sentido (“Bohemian Rhapsody”). O show no Live Aid fica emocionante com uma revelação do cantor logo antes. Na real, isso ocorreu bem depois.

Outros dois contam fatos verídicos com acréscimos ou contestação. “Infiltrado na Klan” mostra um policial negro que realmente ajudou a investigar o grupo racista KKK, mas com parceiro e operações irreais.

“Green Book – O Guia” mostra a amizade de um motorista assumidamente picareta, cujo relato foi a fonte do roteiro, e um músico negro cuja família contestou tudo.

Por fim, há os dois que partiram da vida real, mas sem a pretensão contá-la como aconteceu. “Roma” é inspirado na vida do diretor Alfonso Cuarón e de sua babá, mas em uma base mais sentimental do que documental – mesmo mostrando bem a fase política do México na época.

Pelo menos no Oscar, ficar entre o fato e o fake não é necessariamente ruim. Justamente esses dois últimos filmes, que mais se assumiram desde o início na zona do “não é bem assim”, foram os mais elogiados pela crítica.

G1