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Não foi novidade citação de Carlos Antônio como “chefe da organização criminosa” na delação premiada de empresário

Não constitui novidades citação do ex-prefeito Carlos Antônio na delação premiada do empresário Francisco Justino do Nascimento, como o chefe da organização criminosa instalada em Cajazeiras para desvio de recursos públicos e investigada, desde a primeira fase, pela Operação Andaime. Carlos Antônio, há tempos, vem encrencado com a Justiça.

Nas eleições de 2012, por exemplo, não foi candidato a prefeito de Cajazeiras, e escalou sua esposa Denise para a disputa, exatamente por estar com problemas com a Justiça. Agora, obviamente, a situação se agrava, diante da citação direta de seu nome por um dos personagens mais diretamente vinculados ao esquema levantado pela Polícia Federal.

Foram identificados pela PF como membros da organização os empresários Mário Messias Filho (Marinho), Afrânio Gondin Júnior, o mestre de obras José Hélio Farias, o engenheiro fiscal da prefeitura, Márcio Braga de Oliveira, e o ex-secretário Henry Witchael Dantas (Saúde, Cajazeiras).

Esquema –Segundo a força-tarefa da Operação, foram dezenas de investigações instauradas, que indicaram como o esquema só foi desmantelado o esquema ilícito que se valia das empresas Servcon e Tec Nova, de Francisco Justino, restando um amplo espectro de atividades ilícitas que se valiam de outras empresas fantasmas para operar o desvio de recursos públicos. Agora, também descobertos.

Trecho da delação – Confira o trecho da delação premiada de Justino, quando interrogado sobre o esquema.

MPF: Sr. Francisco Justino, vou perguntar ao senhor aqui sobre uma documentação que o senhor está me entregando, sobre a Prefeitura de Cajazeiras. O senhor fez um gráfico onde o senhor indica como a pessoa que dá todas as ordens o marido da prefeita Denise, o Carlos Antônio, ex-prefeito de lá?

Colaborador: É.

MPF: Ele que determina as ordens para Marinho, Marinho determina para Afrânio resolver as empresas que vão ganhar, Afrânio resolve com a licitação, Carlos e Joselito.

Colaborador: E diz quem é a firma que vai ganhar.

MPF: Márcio Braga é o homem dos boletins de medição e das secretarias.

Colaborador: Márcio Braga é quem também faz os boletins da saúde. Da prefeitura quanto da saúde, por ordem do Secretário de Saúde.

MPF: Então deixe me ver se eu estou correto no que o senhor está me dizendo: Márcio Braga trabalha para o Afrânio, Afrânio trabalha para o Marinho e o Marinho trabalha para o Carlos Antônio?

Colaborador: Isso. E Márcio Braga é engenheiro da prefeitura.

MPF: O Hélio entra aonde aqui?

Colaborador: é o executor, quem toma de conta da obra.

MPF: O peão?

Colaborador: O peão, quem toma de conta para que ninguém roube os materiais. É o homem de confiança do Marinho.

MPF: Na operação nós denunciamos e chegamos a requisitar a prisão de Marinho e de Afrânio, mas o que o senhor está me dizendo aqui é que o homem por trás das decisões do Marinho e do Afrânio é o Carlos Antônio.

Colaborador: É o Carlos Antônio.”

Helder Moura