Ney Matogrosso é o homenageado do 28° Prêmio da Música Brasileira

Cantor terá seu trabalho celebrado na premiação
Marcelo Faustini ​ | Divulgação

Quem o vê nos palcos, com toda a sua performance e brilho, não imagina a tamanha discrição na vida pessoal. Mesmo avesso a comemorações e relutante a aceitar qualquer coisa do gênero, o cantor Ney Matogrosso é o homenageado do 28° Prêmio da Música Brasileira, que acontece amanhã, na cidade do Rio de Janeiro.

“Eu tô achando uma coisa engraçada, porque estão tendo muitas homenagens, coisa que não é muito comum na minha vida”, brinca, Ney Matogrosso, em entrevista por telefone.

Além das celebrações, o artista é protagonista de inúmeros trabalhos nessa nova fase. Prestes a completar 76 anos no próximo dia primeiro, Ney está na reta final da turnê Atento aos Sinais, que está há quatro anos na estrada, e, em setembro, é uma das atrações no Rock in Rio. Ele também dedica-se a atuação no cinema e pensa em um novo álbum.

“Me sinto uma pessoa satisfeita com a minha vida, satisfeita com o meu trabalho e que consegui viver a minha vida sustentado pelo meu trabalho exclusivamente, podendo ser fiel a ele até agora”, comemora.

O fato de estar fazendo tanta coisa ao mesmo tempo significa que eu estou aptoNey Matogrosso, cantor

Prêmio da Música Brasileira

O prêmio, que acontece amanhã, no Theatro Municipal da capital carioca, é o maior evento da música brasileira.

Transmitido pelo Canal Brasil, ao vivo, às 20h, premia as mais diversas categorias e artistas da música. A cada ano um cantor é homenageado e tem seu trabalho consagrado por artistas de diversas gerações no show realizado no evento.

Ivete Sangalo, BaianaSystem, Maria Bethânia, Luiz Caldas, Larissa Luz e Letieres Leite são alguns dos baianos que concorrem nas categorias da festa.

Rock in Rio

A edição do Rock in Rio deste ano vem com uma parceria especial entre Ney e a banda pernambucana Nação Zumbi. Eles tocam juntos repertório do grupo Secos e Molhados, além de composições de Jackson do Pandeiro e da própria Nação Zumbi.

“Bastou a gente fazer aquele anúncio com aquela música (Amor) que virou uma loucura. Já teve empresário querendo comprar 30 shows, sendo que não tem nada para vender. A ideia é fazer apenas o Rock in Rio, depois vamos ver o que vai rolar”, adianta Ney.

Com o repertório escolhido pelo artista, as canções dos Secos e Molhados vão fazer do show ainda mais simbólico.

“É muito prazeroso poder voltar com o Nação Zumbi e não ser naquele palco principal. Eu acho que esse palco Sunset é o que é mais interessante, no meu gosto”, garante.

Ney não esconde a preferência pelo palco alternativo e ainda afirma que voltou ao festival apenas pelo encontro inédito com manguebeat.

“Para falar a verdade pouca coisa me agrada e nesse palco Sunset é onde as coisas se arriscam mais. O outro é muito padronizado, aquela coisa dos cantores americanos e ingleses, parecia um desfile infantil de escola de samba. Não me agradou nenhum pouco”, comenta.

76 anos

Questionado sobre liberdade, o artista a coloca como princípio básico de sobrevivência, como um ápice na vida de qualquer ser humano. Mostra-se também fiel ao presente e feliz com tudo que vive na sua carreira. “O que foi triste foi vivido, foi esquecido e ficou para trás. Eu sou uma pessoa que vive sempre o presente”, afirma.

Ao falar de auge, ele logo afirma que tem que ser uma dedicação diária para qualquer artista e que isso não deve ser almejado. “Todos os momentos que estou envolvido fazendo alguma coisa pretendo estar fazendo o melhor que possa, verdadeiro, entregue, Então acho que o auge é todo momento”, conclui.

*Sob supervisão do editor-coordenador Marcos Casé