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Nonato diz que reforma política não vem das ruas e hoje só interessa aos políticos

nonato-300x207Para o vice-prefeito, tanto Dilma quanto a oposição estão priorizando o debate de um tema totalmente distante das reivindicações populares, que exigem melhoria no serviço público e mais qualidade de vida

O vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira, avaliou como totalmente desconectado da realidade o debate travado entre Governo Federal, oposição e líderes congressistas sobre a necessidade urgente de se promover uma reforma política como forma de atender à pressão popular manifestada nas ruas de todo país e nas redes sociais.

“Parece até conversa de bêbados. Cada um diz uma coisa sobre algo que surge do nada. Não vimos um único cartaz nas mais variadas e massivas manifestações exigindo, por exemplo, voto distrital, coincidência de mandatos, fim da reeleiçao com mandato de cinco anos, financiamento público de campanha, fim das coligações, listas partidárias, cláusulas de barreira ou outras coisa do gênero. Então, você mobilizar o país por uma Constituinte e um Plebiscito para algo que é simplesmente função do Congresso Nacional é ignorar o sentimento das pessoas que estão ocupando as ruas do país”, afirmou Bandeira.

Segundo o vice-prefeito, esta é uma pauta que está hoje na ordem do dia apenas da chamada classe política e no máximo da mídia que tem a obrigação em cobrir suas atividades. “Quem não entendeu que o povo quer melhorias profundas nos serviços públicos que redundem em melhorias em sua qualidade de vida é porque perdeu a noção da realidade e terá enorme dificuldades em representá-lo futuramente”, disse.

Nonato Bandeira acha que a presidente deveria deixar a reforma política para o Congresso, que tem a obrigação de fazê-la, e propor urgentemente um novo pacto federativo para o país, a fim de descentralizar o poder e diminuir consideravelmente as desigualdades regionais. É isso que acaba prejudicando os serviços públicos, paralisando ou retardando obras e motivando grande parte dos atuais protestos. Os municípios e estados não podem mais arrecadar os impostos e enviar para Brasília e depois ir lá choramingar a liberação desses mesmos recursos que pertencem ao próprio cidadão, que mora nas cidades”.

O mérito de Dilma em propor os chamados cinco pactos, na compreensão de Bandeira, foi sair na frente da oposição, que tinha a obrigação em pautar o clamor popular na agenda política, mas parece que ficou batendo cabeça com as manifestações, demonstrando estar atordoada com as vozes da rua e só reagindo em cima da agenda governista.

“Ela acertou no atacado e errou no varejo. Aí entra também sua assessoria, principalmente a jurídica e comunicação. A presidente acertou ao focar o combate à corrupção, onde poderia de cara determinar a investigação dos visíveis superfaturamentos dos estádios, e de mais verbas para a educação, embora feita de forma bastante genérica. Ela poderia ter ido mais fundo, propondo algo como a erradicação do analfabetismo, investimento maior em pesquisas e salários justos para os professores”.

A ausência do combate à violência e uma política clara de segurança pública foi outro ponto falho, na avaliação do vice-prefeito da Capital. “Em todas as pesquisas a violência é o que mais assusta aos brasileiros, inclusive nas pequenas cidades, que antes estavam protegidas. O cidadão não entende, por exemplo, como em grandes eventos realizados no país monta-se esquemas poderosos de segurança, envolvendo até o exército, e não se faz o mesmo para proteger quem trabalha e vive no país”, afirmou.