Novo presidente Nacional do PSDB em entrevista diz:" Bolsonaro desperdiçou a lua de mel"

Novo presidente Nacional do PSDB em entrevista diz:” Bolsonaro desperdiçou a lua de mel”

O problema é que, como Lula nasceu em Pernambuco, e os mais pobres são maioria no Nordeste, ele teve dificuldades para vencer o PT. Aos 47 anos, porém, manteve-se ativo na política e acaba de ser eleito presidente do PSDB, substituindo Geraldo Alckmin.
Objetivo: tornar o PSDB palatável no Nordeste. A tarefa de Araújo, no entanto, continuará árdua: mudar a cara do PSDB e torná-lo um partido com a participação dos mais jovens, já que até aqui os “cabeças brancas” (mais velhos) é que conduziam a sigla. Bruno quer “tirar o PSDB de cima do muro”, adotando posições claras e prepara-se, ainda, para aplainar o caminho do governador João Doria como candidato de consenso à presidência em 2022.

O sr. assume a presidência do PSDB com a missão de construir um novo partido. O que precisa mudar?

Primeiro a clareza de que o PSDB pagou um alto preço pela hesitação. Desde de não ter feito a defesa das grandes realizações do partido, como as privatizações, até de temas que a sociedade cobrava uma posição firme, mas o PSDB hesitou em se posicionar, o que foi criando a caricatura do muro. Isso passou a consolidar a percepção de um partido extremamente frágil.

Quando o sr. fala que não haverá mais muro no partido, gostaria de saber qual é a posição em relação ao governo Bolsonaro: o partido apoiará ou será oposição?

Onde houver intolerância, falta de diálogo, obscurantismo, o PSDB vai estar do lado oposto. Dizemos não a uma agenda como essa. Agora, quando as propostas forem de reforma do estado brasileiro, que é o DNA do PSDB, vamos apoiar. O PSDB foi protagonista das mais importantes reformas ao longo da década de 90 e teve importantes serviços prestados ao País. Sempre que o governo Bolsonaro tiver na agenda ações que se aproximem do nosso DNA, terá nossa aprovação, mas, obviamente, o PSDB estará afastado do ambiente de intolerância.

O PSDB será mais dócil ao governo Bolsonaro do que os partidos de oposição?

O Brasil não tem condição de perder tempo com picuinhas e irrelevâncias. O governo Bolsonaro jogou fora cinco meses. Desperdiçou a lua de mel, em que teria os melhores meses para reformar e avançar. O PSDB vai ser colaborativo com as reformas e será o protagonista, em lados opostos se for necessário, quanto aos temas de intolerância e de falta de diálogo.

Quanto à reforma da Previdência, parece que a tendência é do partido fechar questão, obrigando seus parlamentares a votarem a favor. É isso mesmo?

Pela primeira vez na história, tão logo seja apresentado o relatório da Reforma da Previdência, vamos reunir a Executiva, as bancadas de deputados e senadores, para decidir pelo fechamento de questão sobre a reforma, votando a favor. É importante lembrar que a reforma foi formulada no governo Bolsonaro por um ex-deputado tucano, licenciado, Rogério Marinho, brilhante quadro, e relatada por um deputado do PSDB, Samuel Moreira. Então, nós vamos trabalhar pelo fechamento da questão em favor da aprovação da reforma.

O governador João Doria tem apoiado Bolsonaro, mas outros integrantes do partido, como Geraldo Alckmin, não. Alckmin disse que Bolsonaro é oportunista e desleal. Como conviver com esse racha?

O apoio do governador Doria a Bolsonaro tem sido dentro das ideias da agenda do PSDB de reformas. Não tem nada de apoio incondicional ao governo. Doria tem feito ressalvas importantes quando se trata da compreensão de que o governo muitas vezes gera crises desnecessárias e perde o foco do que realmente interessa. Doria, por exemplo, tem cuidado dos projetos que objetivam afastar a crise do País, segurando empresas em São Paulo e gerando empregos.

Doria quer levar o partido mais para a direita, mas o sr. tem dito que o partido ficará ao centro. Qual a posição do partido, centro-direita?

As ações do governador Doria, que são liberais, estão voltadas para dinamizar a economia. Está na natureza de sua formação e o PSDB tem espaço para convivência de posições que mantenham o partido no centro. O PSDB não tem espaço para posições extremas. Na economia, temos posições coerentes com a necessidade de geração de empregos.

O sr. já disse que o partido não terá em suas fileiras ninguém da extrema esquerda e nem da extrema direita. Como será feito esse filtro?

É o filtro dos últimos 30 anos. Não obstante a consolidação da caricatura do muro, o partido não tem tido espaço para extremos. Ao longo da história, a posição do partido é da social democracia, com a compreensão de que temos uma veia reformista na economia, de forma liberal, e de que o estado tem papel fundamental na redução das desigualdades sociais. É um partido que respeita os costumes da sociedade. Partido não constrói costumes na sociedade. A sociedade sim é que constrói costumes e partidos.

A posição de Doria parece ser majoritária no partido, mas há gente no PSDB, como Fernando Henrique, que não está gostando de levar o partido para a direita. Ele pode se distanciar?

novo processo do partido, no ponto de vista de atuação política, tem espaço para o protagonismo das grandes lideranças. O ex-presidente, já na convenção que antecedeu a da minha eleição, disse que aquela seria a última que ele iria. Não podemos cobrar mais do que ele já entregou ao País e ao partido.

Istoé