Numa Copa América com estrelas valorizadas, Neymar é o primeiro dos astros a brilhar.

Neymar o segundo mais caro do mundoCom o goleiro peruano Gallese atônito, Neymar comemora o primeiro gol brasileiro na Copa América

SANTIAGO – O desempenho das seleções sul-americanas na Copa do Mundo de 2014 contribuiu. Mas decisivos, de verdade, foram a valorização internacional das principais estrelas do continente e o papel que ocupam nos principais clubes do mundo. Os grandes astros fizeram a Copa América de 2015 gerar uma expectativa jamais vista. Numa competição de craques milionários e números superlativos, a primeira rodada não teve atuações coletivas espetaculares dos favoritos. E quase todos os principais astros foram discretos. Neymar foi o primeiro a brilhar de verdade e ser decisivo. Foi ele quem conduziu o Brasil à vitória sobre o Peru.

Neymar é a segunda maior atração de um torneio com cifras antes impensáveis para o futebol sul-americano. É o segundo jogador com maior valor de mercado da competição. Está atrás de Messi. Hoje, é avaliado em R$ 339,5 milhões, de acordo com números do site especializado Transfermarkt. O argentino vale R$ 514 milhões. Como termo de comparação, dos jogadores que disputaram a última Liga dos Campeões, o argentino e o brasileiro têm, respectivamente, o segundo e o quarto maior valor de mercado.

Só os dois, somados, valeriam mais do que nove seleções inteiras da competição: ficariam atrás, apenas, de Argentina, Brasil e Colômbia, esta última impulsionada por James Rodrígues, avaliado em R$ 257 milhões. Isoladamente, Neymar e Messi valem mais do que sete outras seleções: Equador, Peru, México, Venezuela, Paraguai, Jamaica e Bolívia.

Num mundo globalizado, o torneio continental levanta questões antes inimagináveis. Após vencer a Liga dos Campeões e ser artilheiro do maior torneio de clubes do mundo, Neymar ouviu, no Chile, perguntas antes impensáveis num torneio sul-americano. A especulação passou ser a possibilidade de um grande desempenho no Chile terminar de credenciá-lo a se tornar, pela primeira vez, um dos três finalistas da Bola de Ouro da Fifa.

Em outros tempos, o desempenho numa Copa América seria irrelevante. A rigor, sob o olhar europeu, a repercussão ainda é limitada. Na Espanha, por exemplo, os jogos só são transmitidos em um canal de TV fechada. E metade dos jogos do Brasil acontecerão de madrugada. Mas as finais, num confronto com a Argentina, por exemplo, podem ter mais peso.

– Seria uma honra estar entre os três finalistas. Dá para beliscar. Mas a Bola de Ouro já tem dono, é do Messi – disse Neymar após a estreia contra o Peru, em que marcou um gol, deu passe para outro e, mesmo tendo oscilado no jogo, foi o destaque do Brasil.

Messi teve bons momentos no empate da Argentina com o Paraguai. Marcou um gol de pênalti em jogada que ele próprio iniciou. James Rodríguez foi discretíssimo na derrota colombiana para a Venezuela. O mesmo ocorreu com Falcão García. No Chile, Arturo Vidal e Alexis Sánchez foram regulares diante do Equador. Na noite desta segunda-feira, enfrentaram o México, mas já pela segunda rodada.

Neymar segue quebrando marcas. O gol diante do Peru fez dele o quinto maior artilheiro da história da seleção, com 44 gols em 64 partidas. Ele ultrapssou Rivelino e Jairzinho.

– Estou feliz com as marcas, mas o que sempre digo é que quero ajudar o time. Era importante começar vencendo – afirmou Neymar.

Estrela mundial, Neymar atrai olhares de todo o mundo. Se Messi é o carro chefe, o brasileiro integra o grupo de jogadores que fazem jornalistas de todo o mundo se deslocarem para o Chile. Os números do torneio impressionam. Os de Neymar também. Numa demonstração do que representa hoje para a seleção brasileira, é o único jogador na lista dos dez mais valiosos da Copa América.

A Argentina, equipe mais valiosa da competição, tem quatro nos dez mais caros do torneio: Messi, Di María, Agüero e Higuaín. A equipe, considerada a mais valiosa, tem jogadores com valor de mercado avaliado em R$ 2,12 bilhões. O Brasil vem atrás, com R$ 1,8 bilhão. A Colômbia é a terceira, com R$ 1,1 bilhão. Para que se tenha ideia, a distância de brasileiros e argentinos para o Barcelona, vencedor da Liga dos Campeões, não é um abismo: o elenco espanhol vale R$ 2,5 bilhões.

A atual edição da Copa América tem nada menos do que 22 jogadores com valor de mercado superior a R$ 100 milhões, recorde na história do torneio.

O Globo